A Super Banda Pink Floyd lança “ Dark side of the Moon”

1 Março 1973

O caminho até o “disco do prisma”, como o álbum ficou mais conhecido, foi longo e incerto. O grupo inglês foi um dos principais artífices do hype da psicodelia, que distorceu o  rock britânico (e depois o do resto do planeta) ao misturar drogas lisérgicas, temas fantásticos, instrumental experimental, referências ao passado e muitas cores. O Pink Floyd foi o grande idealizador daquele movimento que, aos poucos, se espalharia pela Califórnia, nos Estados Unidos, e para outros países. O nome por trás dessa nova era havia sido o talentoso Syd Barrett.

Foi Syd quem transformou o Pink Floyd em ícone psicodélico. Sem ele, os seus colegas no máximo seguiriam a linha de inúmeros ingleses da época, bebendo dos blues norte-americano e devolvendo uma nova sonoridade mais pesada como nomes importantes da época, como YardbirdsAnimalsTen Years AfterGroundhogsCream, entre outros. Com Syd, a banda viajou por outras galáxias e paisagens, levando a musica pop de seu tempo a um patamar nunca imaginado por artistas que tocavam no rádio para um público adolescente.

Mas Syd foi nocauteado pela mesma raiz que o inspirou. As muitas doses de LSD que consumiu no começo da sua carreira acabaram por sabotar o seu talento ao vivo. O carisma irresistível de antes tornou se um muro para o desenvolvimento criativo dos Pink Floyd. Na primeira excursão do grupo para os EUA, Syd não tocava o seu instrumento ou não conversava nada nas entrevistas, obrigando os Pink Floyd a contratar um segundo guitarrista, David Gilmour, para depois tirá-lo de vez da banda.

Perdido sem o seu fundador, os Pink Floyd começaram a explorar novas paragens. Como parte das bandas psicadélicas do seu tempo, eles aproximaram se do novíssimo rock progressivo, onde o virtuosismo musical e a exuberância temática abria espaços para épicos que pavimentariam o caminho para a nova década. Neste meio tempo, fez um clássico  Show nas ruínas da cidade de Pompeia, destruída pela vulcão Vesúvio na época do Império Romano, e esticava canções que passavam a ocupar lados inteiros dos seus discos — mas sem perder o senso  pop. Experimentando os limites, mas sem deixar as canções de lado.

E assim, em 1973, o Pink Floyd atingiu o seu ápice criativo ao lançar um disco conceitual sobre a vida. Com faixas com títulos como “Time”, “Us and Them” e “Money” (três dos maiores hits da banda), o álbum contemplava diferentes aspectos da existência, sempre tentando dar um sentido lírico para tudo — e inevitavelmente resvalando na loucura, em faixas como  “ Brain Damage “ e “ Eclipse “que faziam referência ao amigo Syd Barrett.

O equilíbrio entre os seus principais compositores, o baixista Roger Waters e o guitarrista David Gilmour, acompanhado da eficácia dos outros dois integrantes, o teclista Rick Wright e o baterista Nick Mason, criaram um álbum perfeito, icónico, que ainda por cima se tornou um dos discos que se manteve por mais tempo entre os mais vendidos da parada da revista “Billboard” por inacreditáveis 741 semanas, entre seu lançamento e 1988. O disco voltou às paradas em 2009, totalizando mais de 900 semanas entre os mais vendidos da história.