1ª Utilização da Radioterapia

27 Outubro 1951

No final do século XIX duas descobertas revolucionaram por completo a história universal: os raios-X, descobertos em 1895 pelo físico alemão Wilhelm Röntgen; e a radioactividade, descoberta em 1898 em França pelo casal Curie e por Antoine Henri Becquerel. Era o inicio de um processo de desenvolvimento para um sem-número de novas aplicações, entre as quais a Radioterapia (utilização de radiações ionizantes para efeitos terapêuticos).

​Logo  a seguir a Röntgen ter publicado a sua descoberta (justamente com a imagem de uma radiografia de uma mão), ocorreram diversas aplicações das radiações quer em diagnóstico quer em terapia, sendo de realçar o tratamento de um cancro de estômago que Emil Grubbe fez em Chicago (Estados Unidos da América) em 1896.

​ A aplicação terapêutica de radiações X ou de radiações gama passou então a chamar-se de tele-Röntgen-gama-terapia, sendo a precursora da actual Radioterapia Externa. Por outro lado, a utilização de fontes radioactivas junto ao (ou dentro do) corpo humano chamou-se Curie- terapia, sendo a precursora da actual Radioterapia interna ou Braquiterapia.

A evolução tecnológica (particularmente a evolução nos campos da informática e da aquisição de imagem) foi sendo aproveitada nas Radioterapias (externa e interna), dando origem a evoluções significativas, das quais destacam-se as seguintes:

Inicio do século XX – Aparelhos produtores de radiação-X em terapêutica.

Década de 30 – Primeiras “Bombas de Cobalto”, com energias da gama do milhão de electrão-Volt.

Década de 50 – Primeiro equipamento específico para efectuar Radioterapia cerebral desenvolvida sob orientação do Prof. Lars Leksell.

Década de 60 – Implementação dos primeiros aceleradores lineares específicos.

Década de 80 – Equipamento de aquisição de imagens TAC. Permite a realização de planimetrias bidimensionais, abrindo as portas aos planeamentos tridimensionais.

Década de 90 – Ressonância Magnética e PET, conjuntamente com o desenvolvimento da ecografia, permite uma efectiva visualização dos volumes-alvo e dos tecidos adjacentes. A evolução informática permite o desenvolvimento efectivo das planimetrias tridimensionais. Desenvolve-se a Terapia com feixes de Partículas (particularmente Protões e Carbono). Surgem os primeiros EPID (Electronic Portal Imaging Devices), que permitem o desenvolvimento da integração da imagem com a terapia.

Primeira década do Séc XXI – Desenvolvem-se técnicas mais sofisticadas de planimetria e tratamento, com a integração completa entre a imagem e o tratamento. Surgem aceleradores com sistemas de sincronização entre a respiração e a irradiação (com a chamada Radioterapia 4D), desenvolvem-se técnicas de irradiação como a Radioterapia de Intensidade Modelada (IMRT) ou Radioterapia Guiada por Imagem (IGRT), desenvolve-se a Radiocirurgia (craniana e corporal), a Terapia em Arco Dinâmico e novos equipamentos de irradiação como a Tomoterapia, a Ciberknife e os novos aceleradores lineares com sistemas de imagem integrada; surgem novas aplicações da Braquiterapia com novas fontes radioactivas.

Hoje, a Radioterapia é utilizada em inúmeros casos (oncológicos e não-oncológicos sendo esperado que mais de 60% de todos os doentes oncológicos, em qualquer fase de evolução da doença, venham a beneficiar de tratamento com radioterapia. A cada vez maior integração das áreas subjacentes à Radioterapia (nomeadamente a Física das Radiações e a Radiobiologia) permite perspectivar que muito rapidamente se chegue a uma radioterapia personalizada: onde cada doente seja tratado com uma dose específica para a sua tipologia genética, em estreita interacção com terapêuticas com nanotecnologia (nomeadamente a utilização de nanopartículas que transportem fontes radioactivas que se depositarão essencialmente nas células malignas).