Nascia o escritor Ramalho Ortigão

24 Outubro 1836

Ramalho Ortigão (1836-1915) foi um escritor e jornalista português que, junto com Eça de Queiroz editou a revista de crônicas “As Farpas”, a primeira publicação do gênero em Portugal.

José Duarte Ramalho Ortigão nasceu em Porto, Portugal, no dia 24 de Outubro de 1836. Ingressou na Universidade de Coimbra. Lecionou francês no Colégio da Lapa, dirigido por seu pai.

Carreira literária

Em 1855, Ramalho Ortigão começou a colaborar com o Jornal do Porto. Em 1865, vários jovens intelectuais, entre eles Antero de Quental, Eça de Queirós e Ramalho de Ortigão reuniam-se para trocar ideias e formas para renovar a vida cultural e a literatura portuguesa.

No mesmo ano, deu-se o primeiro choque entre as duas gerações, a do Romantismo em declínio e a do Realismo emergente, quando Antônio Feliciano de Castilho, consagrado escritor romântico, elogia o poeta novato Pinheiro Chagas e censura Tobias Barreto e Antero de Quental.

Os dois poetas são acusados de exibicionismo, obscuridade e de abordarem temas que nada tinham a ver com a poesia. Antero responde a crítica em uma carta aberta a Castilho, intitulada “Bom Senso e Bom Gosto”, duas virtudes negadas por ele aos jovens escritores. A polêmica ficou conhecida como a Questão Coimbrã.

Em 1868, Ramalho Ortigão vai para Lisboa como oficial da Secretaria da Academia de Ciências, quando estabelece uma amizade com Eça de Queiroz. Em 1870 começam a publicar no “Diário de Notícias” a novela policial “O Mistério da Estrada de Sintra”.

Em 1971, Ortigão e Eça criam os fascículos mensais “As Farpas”, onde publicavam críticas ferinas, mas sempre bem humoradas, sobre a realidade portuguesa do seu tempo, como os seus costumes, instituições, partidos políticos e problemas.

No mesmo ano, junto com o mesmo grupo de Coimbra, organiza as “Conferências Democráticas do Cassino Lisbonense”, com o objetivo de realizar uma reforma na sociedade portuguesa.

O governo e principalmente a Igreja não viam com bons olhos toda essa agitação intelectual e, depois da quinta conferência, o Cassino foi fechado, por decreto real.

Em 1872, Eça afastou-se do periódico As Farpas, quando foi nomeado cônsul em Havana, mas manteve vasta correspondência com Ortigão. As publicações do periódico seguiram até 1882, com a participação de Teófilo Braga.

Ramalho Ortigão faleceu em Lisboa, Portugal, no dia 27 de setembro de 1915.

Obras de Ramalho Ortigão

Como jornalista, Ramalho Ortigão fez várias viagens pela Europa, quando colectou impressões que registou em diversas obras, entre elas:

A Holanda (1885)

John Bull e Sua Ilha (1887)

Notas de Viagem (1878)

Pela Terra Alheia (1878-1880, 2 vol.)

As Praias de Portugal (1876)

O Culto de Arte em Portugal (1896)