Boby Fischer vence o campeonato do mundo de Xadrez

1 Setembro 1972

Do lado soviético, o campeão, Boris Spassky, 35 anos.

Do lado americano, o desafiante, Bobby Fischer 31 anos.

No tabuleiro do xadrez, a Guerra Fria.

Sim, era muito mais do que um jogo de peões, cavalos, bispos, torres, reis e rainhas. Era a disputa geopolítica das duas superpotências representada na mesa quadriculada.

Quarenta e cinco anos atrás, começava o “Duelo do Século”: Spassky vs. Fischer. Todos os 2.500 lugares do Palácio dos desportos, em Reykjavík, capital da Islândia, estavam ocupados. Spassky, Fischer ou os fanáticos pelo xadrez, ninguém queria perder!

Para o lendário Garry Kasparov, o elemento político é indissociável na histórica disputa entre Spassky e Fischer. “Na União Soviética, o xadrez era tratado pelas autoridades como uma ferramenta ideológica muito importante e útil para demonstrar a superioridade intelectual do regime comunista soviético sobre o ocidente decadente”, lembrou, em 2016.

Se em Moscovo, o xadrez era peça importante da engrenagem na disputa política, nos EUA não era diferente. Apostava-se muito em Fischer.

Além do talento, o desafiante também sempre foi um crítico voraz da dominância soviética no desporto. Fazia questão de expressar as suas opiniões constantemente, como em artigos publicado na revista Sports Illustrated, em agosto de 1962, e na alemã Der Spiegel, dois meses depois.

Segundo o americano, os russos controlavam há tempos o jogo, porque aceitavam um sistema em que havia muitos empates, especialmente em duelos entre praticantes do país. Para Fischer, um sistema totalmente injusto.

Irônica e contraditoriamente, foi justamente a tática usada por ele no primeiro jogo contra Spassky. Estratégia que não daria certo. Fischer desistiria no movimento 56. O soviético sairia na frente.

Ao final, após 21 partidas, a 1 de Setembro de 1972, Bobby Fischer tornava se o primeiro americano campeão do mundo do xadrez.