Holocausto – Gueto de Varsóvia

22 Julho 1942

Desde o início da guerra, a situação tornou-se cada vez mais insuportável para os judeus. Leis racistas, proibições e segregações tornavam-se fatos corriqueiros; o uso da estrela de Davi amarela, era obrigatório. Os guetos judeus na região do chamado “governo geral” deveriam acolher todos os judeus europeus: Lodz, Varsóvia, Cracóvia, Jalowiec ou Bialystok. Marek Edelmann, sobrevivente do Gueto de Varsóvia, recorda: “Foi trágico. Nesse bairro, onde viviam antes cem mil pessoas, foram amontoadas 400 mil pessoas no mesmo espaço. Sete a oito pessoas num quarto. As rações de alimento eram mínimas. Havia fome, aperto e frio…“

As imagens do Gueto de Varsóvia mostram miséria. Crianças esqueléticas pedindo esmolas, adultos desesperados. Poucos tinham dinheiro para poder sobreviver. Gêneros alimentícios eram contrabandeados. Tocava-se música num piano salvo do confisco geral de bens; adultos davam aulas às crianças, sem livros e sem cadernos.

Os médicos tentavam diminuir o sofrimento. Stefan Grayel vivenciou o Gueto de Varsóvia quando criança: “Depois que foi construído o gueto, tínhamos mortos nas ruas todos os dias. Eles eram cobertos com jornal, pois não havia outra coisa para cobri-los. Frequentemente, demorava horas até que a carroça viesse buscá-los para levar ao cemitério.”

Em 1942, começou a estratégia nazista de eliminação, cujo nome era “deportação para o Leste”. Às pessoas nos guetos, afirmava-se que iriam para uma frente de trabalho e que poderiam ganhar dinheiro. Mas o final da viagem era nos campos de extermínio: Treblinka, Sobibor, Chelmno ou Auschwitz.

As pessoas que permaneceram no Gueto de Varsóvia ficaram desconfiadas. Até janeiro de 1943, quase 317 mil judeus foram deportados e assassinados nas câmaras de gás. Em abril de 1943, quando o gueto deveria ser inteiramente evacuado, os restantes revoltaram se – sem esperança de sobreviver e sem ajuda externa. Desesperados, eles conseguiram resistir durante quatro semanas às tropas da SS, submetendo-as a derrotas fragorosas. “Os alemães foram obrigados duas vezes a fugir do gueto. Uma vez, conseguimos manter a posição retomada por 40 minutos; outra vez, por seis horas.“

Isso não conseguiu, porém, mudar o destino dos judeus de Varsóvia. Eles lutaram desesperadamente, com todos os meios: com as poucas armas contrabandeadas, com a própria vida. Quando a resistência começou a sucumbir, pouco a pouco, muitos judeus suicidaram-se. Uma carta de despedida afirmava: “Com a minha morte, quero protestar uma última vez contra a passividade com que o mundo inteiro assiste e permite que o povo judeu seja eliminado”.

O major-general da SS Jürgen Stroop informou Berlim sobre o que considerava “êxito” da operação: “A resistência oferecida por judeus e bandidos pôde ser vencida. Somente com a acção incansável de todas as forças, foi possível registar e eliminar comprovadamente um total de 56 065 judeus. Não existe mais o antigo bairro judeu de Varsóvia.”