Nascia a atleta Rosa Mota

29 Junho 1958

Rosa Maria Correia dos Santos Mota nasceu a 29 de Junho de 1958, no Porto. Desde cedo começou a correr pelas vielas da Foz do Douro. Durante o liceu começou a praticar natação e ciclismo, embora tenha sido forçada a optar pelo atletismo, por ser uma modalidade que não acarreta tantos custos.

Em 1974 entrou para o Futebol Clube da Foz, mantendo-se no clube durante três anos, transferiu se depois para o Futebol Clube do Porto, clube onde permaneceu até ter problemas de saúde, relacionados com asma de esforço. Já depois de sair do Futebol Clube do Porto, conheceu o médico José Pedrosa que, depois de tratar a sua doença, a encaminhou para a maratona e que se viria a tornar seu treinador. A partir de 1981 começou a competir com a camisola do Clube de Atletismo do Porto, clube que representaria durante toda a sua carreira.

Os Jogos Olímpicos de 1984 ficaram marcados pelos conflitos que opuseram Rosa Mota, o seu treinador e a Federação Portuguesa de Atletismo, uma vez que José Pedrosa não recebeu a acreditação do Comité Olímpico de Portugal se viu forçado a entrar no estádio, não na qualidade de treinador mas como jornalista da revista “Atletismo” e para poder continuar a ser acompanhada pelo seu técnico, Rosa Mota teve que trocar a Aldeia Olímpica pelo hotel da Nike. Apesar de todas estas contrariedades, Rosa Mota conseguiu terminar a prova em terceiro lugar, arrecadando a medalha de Bronze. Desta forma, ela tornou-se a primeira mulher portuguesa a arrecadar uma medalha nas Olimpíadas.

Rosa Mota chegou aos Jogos Olímpicos de Seul em 1988, com uma enorme pressão, já que as vitórias retumbantes que havia conseguido nos Europeus e Mundiais anteriores, levavam a crer que o único resultado desejável seria o Ouro, conseguido com esforço, tendo em conta que enfrentava adversárias temíveis como a alemã Katrin Doerre, que somava 13 vitórias, em 16 competições. Com as principais favoritas ainda reunidas nos quilómetros finais, Rosa Mota desferiu o seu ataque ao quilómetro 38, partindo para uma vitória isolada.

Nos anos que se seguiriam, somou novas conquistas: Maratona de Osaka em 1990; Maratona de Boston em 1990, a terceira vitória consecutiva nesta competição; e o Campeonato da Europa de Split em 1990 e Maratona de Londres em 1991. A sua última grande competição foi o Campeonato do Mundo de Tóquio em 1991, que aconteceu três meses após Rosa Mota ter sido operada a um quisto no ovário, tendo a atleta se apresentado longe da sua melhor condição física e sendo forçada a desistir. Entre 1982 e 1992, Rosa Mota participou em 21 maratonas, tendo ganho 14 delas.

A 3 de Agosto de 1983 foi feira Dama da Ordem do Infante D. Henrique, tendo sido elevada a Oficial a 7 de Fevereiro de 1985 e a Grã-Cruz a 16 de Outubro de 1987. Foi feita Grã-Cruz da Ordem do Mérito a 6 de Dezembro de 1988. Em 1991, o Pavilhão dos Desportos, situado nos Jardins do Palácio de Cristal, na cidade do Porto, passou a chamar-se Pavilhão Rosa Mota em sua homenagem. Em 2010 recebeu, tal como Carlos Lopes, o Prémio Alto Prestígio CDP “Mérito Desportivo” da Confederação do Desporto de Portugal. Devido à sua carreira, Rosa Mota foi distinguida pela Association of International Marathons and Distance Races (AIMS), em 2012.