Inauguração da Fábrica e Cervejaria “Portugália”

10 Junho 1925

A história da Portugália é indissociável da história da Cerveja em Portugal, e, para a contar, temos de recuar aos primeiros anos do século XX.
Nessa altura, e sob o comando do Dr. Barral Filipe, a Fábrica de Cerveja Leão e a Companhia Portuguesa de Cervejas deram origem a uma sociedade denominada Fábrica de Cerveja Germânia que nasceu com o propósito de produzir cerveja ao nível das melhores do mundo. Para isso, foi comprado, em 1912, um enorme terreno na Av. Almirante Reis, construída uma fábrica com 15.000 m2, importado o mais moderno equipamento e convidados os melhores técnicos estrangeiros como consultores.


Com a 1ª Guerra Mundial, onde Portugal alinhou pelos Aliados, o sentimento anti-germânico levou a uma inteligente medida de marketing e, em 1916, a fábrica passou a chamar-se Portugália, Lda.
Em 1921, novos investimentos em técnicos e equipamentos foram feitos e o produto, sob a orientação do mestre cervejeiro alemão Richard Eisen, atingiu uma qualidade absolutamente revolucionária para o mercado e para a época. O nome foi mais uma vez modificado para Companhia Produtora de Malte e Cerveja Portugália, S.A.

O nascimento, em 10 de Junho de 1925, da Cervejaria anexa à Fábrica de Cerveja, tem uma razão peculiar: uma vez que a distribuição da cerveja produzida era feita em carroças e relativamente precária, era comum os clientes dirigirem-se à Fábrica para encherem os seus próprios barris.
A ideia da abertura de um espaço para servir cerveja avulso enquanto os clientes aguardavam o enchimento, teve um êxito imediato.

E assim nasceu uma nova forma de consumir Cerveja em Portugal. Com ela vieram os mariscos e os famosos bifes, que rapidamente se tornaram o ex-líbris da casa.
Nos anos 30, 40 e sobretudo 50, a Cervejaria Portugália passou a ser um dos principais pontos de encontro de artistas, desportistas e políticos, que aí encontravam o ambiente descontraído e boémio ideal para o convívio. Nomes como Amália Rodrigues, Vasco Santana e Raul Solnado, por exemplo, eram presença assídua. O seu prestígio era tão grande que a sua esplanada foi escolhida em 1933 para a cena final do filme de Continelli Telmo “A Canção de Lisboa”.

Nos anos 50, a fábrica e a cervejaria passaram por uma formidável reestruturação, a sala de refeições foi alargada, criou-se no primeiro andar uma sala de Bilhar e no terceiro piso um terraço onde funcionou, durante as noites de Verão, um cinema ao ar livre.


Na década de 70, com o 25 de Abril, a Portugália, como grande parte das empresas na época, passou por dois anos turbulentos. Mas, em Junho de 1977, as famílias Carvalho Martins e Carvalho Vinhas voltaram à gestão da Portugália. Iniciaram então um novo ciclo na vida da empresa que culminou, em 1997, com o início da expansão do conceito da Cervejaria Portugália da Almirante Reis, para uma rede de restaurantes fiéis aos sabores, ao ambiente e ao serviço que fazem a fama da mais portuguesa das cervejarias há mais de 80 anos: Portugália, a Cervejaria Portuguesa.