Batalha de Creta – 2ª Guerra Mundial

1 Junho 1941

Em 28 de Abril de 1941, o General Kurt Student , Chefe da XII Fliegerkorps (Corpo Aéreo), unidade da Lufwaffe na qual estavam agrupadas todas as forças de pára-quedistas, participou de uma reunião com Hitler e propôs completar as campanhas nos Balcãs , através de uma operação que tomaria a Ilha de Creta com a utilização de forças aerotransportadas. Inicialmente Hitler considerou o projecto muito arriscado, pois até então era algo novo e não testado efectivamente em campo de batalha. Convencido por uma série de argumentos apresentados por Student, acabou autorizando a operação.

A justificativa principal para a operação seria a de transformar a ilha de Creta numa magnífica base aérea, desde a qual se poderia atacar o exército inglês na África do Norte. Para tanto era necessário, ocupar a Ilha. Naquele momento nada parecia impossível para as forças alemãs, vitoriosas em todas as frentes. Contudo, era impossível conquistar a Ilha por mar, uma vez que o Mar Egeu era dominado pela poderosa frota Inglesa. Desta forma a única maneira era fazê-lo pelo ar.

Imediatamente, foram transportados dentro do maior sigilo, da Alemanha para a Grécia, os soldados da 7ª Divisão de Pára-Quedistas e realizou-se a concentração no sector de Atenas de uma força de 700 aviões de transportes Junkers. A 22ª Divisão Aerotransportada, que devia intervir na invasão, foi retida na Roménia devido a dificuldades do seu deslocamento em território grego. Para substituí-la, foi cedido a Student a 5ª Divisão de Caçadores de Montanha, sob o comando do General Ringel, que havia tido destacada actuação na Campanha dos Balcãs.

O plano alemão, baptizado com o nome Mercúrio, consistia em ocupar os aeroportos da costa setentrional, usando três grupos de assalto.

Embora o planeamento do ataque tenha sido cuidadoso, a realidade se mostrou bastante diferente. Nas primeiras horas do dia 20 de maio, a Luftwaffe lançou um forte ataque contra as posições inimigas em Creta, preparando o terreno para o salto. Pouco depois os primeiros paraquedistas começaram a saltar de aviões e pousar em planadores perto do aeroporto de Maleme e nas proximidades de La Canea, capital da ilha.

Mas o inimigo já os esperava, graças a descodificação dos códigos alemães através da captura da máquina Enigma, causando-lhes pesadas baixas.

De forma surpreendente algumas equipas conseguiram se reagrupar, apesar das pesadas baixas, e dominar alguns pontos estratégicos, porém ainda longe dos objetivos principais.

Por toda parte na ilha de Creta civis, armados ou não, se juntaram à batalha com as armas que estavam à mão. Em alguns casos, utilizando espingardas antigas que haviam sido usadas contra os turcos, foram tiradas do seu descanso e entraram em ação. Em outros casos, cretenses civis entraram em acção armados apenas com o que podiam reunir nas suas cozinhas ou celeiros , e muitos pára-quedistas alemães foram esfaqueados ou espancados até a morte nos olivais que pontilhavam a ilha.

Por toda ilha, batalhas ferozes foram travadas entre os defensores e seus atacantes, apesar dos duros combates, ataques e contra-ataques os alemães foram sistematicamente conquistando as posições planeadas.

No principio de Junho, toda a ilha estava nas mãos dos alemães. Uma Vitória verdadeiramente excepcional que, no entanto, examinada posteriormente, resultou terrivelmente cara. Foram utilizadas duas divisões, uma de pára-quedistas e outra alpina, num total de quase 23.000 homens. Morreram mais de 4 000 homens e muitos foram também feridos, quase todos pára-quedistas. Hitler acabou ficando estarrecido com as enormes perdas sofridas entre suas unidades para quedistas, que ele considerava suas forças de elite. Ele passou então a ficar relutante em autorizar novas operações aerotransportadas e passou a usar seus para quedistas como infantaria pesada comum