Nascia o futebolista George Best

22 Maio 1946

Nasceu na capital da Irlanda do Norte, logo após o fim da 2ª Guerra Mundiall. Era tão fanático por futebol quando criança que dormia com uma bola na cama. Aos 15 anos, foi treinar no Manchester United, descoberto por um olheiro do clube que o vira actuar por uma equipa amador de Belfast, os Cregagh Boys. Em 1963, aos 17 anos, estreou se como profissional. Era magro e franzino, mas demonstrava grande velocidade e domínio de bola. O clube ainda vivia no luto causado pela morte, em acidente aéreo, de alguns integrantes da jovem e brilhante equipa que encantara o futebol inglês nos anos 1950, os Busby Babies, os “bebês” do técnico Matt Busby, um dos sobreviventes do desastre.

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Tendo continuado no comando, Busby aprovaria a contratação do génio anunciado. Na sua primeira temporada, Best participou do título da FA Cup.

Não demoraria a explodir: driblador, provocador e dono de um talento irrepreensível dentro de campo (o que lhe rendeu comparações a Garrincha), formou um lendário trio com o Bobby Charlton e o escocês Denis Law. Com eles, foi campeão de Inglaterra em 1965, o sexto título da história do clube no campeonato. Credenciado para a Copa dos Campeões da UEFA de 1966, o United cruzou nas quartas-de-final com o forte Benfica de Eusébio, Coluna e José Torres, clube cuja equipe-base fora bicampeã do torneio em 1961 e 1962.

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Após vitória apertada por 3 x 2 em Old Trafford, Busby determinou cautela e estudo do adversário nos primeiros quinze minutos da partida de volta, em Lisboa. Best desobedeceu e em doze minutos já havia marcado duas vezes. Os Red Devils fariam 5 x 1 em pleno Estádio da Luz. No dia seguinte, ele era manchete nos jornais ingleses com o título mais mediático possível pela juventude inglesa daqueles tempos: “O Quinto Beatle”. O sonho do troféu europeu naquela temporada, entretanto, acabaria nas semifinais, onde foram eliminados pelos Jugoslavos do Partizan.

O apelido ganhou força de qualquer forma, e também devido à vida de Best fora de campo, onde era frequentemente visto com belas mulheres e carros de último tipo, despertava histeria nas adolescentes com seus cabelos longos e esvoaçantes e o seu rosto de galã de cinema, metendo-se em altas festas. Tal comportamento boémio o levaria ao alcoolismo que acabaria com a sua carreira. Com certa frequência, também atrasava-se ou não comparecia a treinos, o que o fez levar inúmeras multas e suspensões.

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Casado duas vezes e tendo quatro filhos, dois dos quais não reconheceu como dele, deu em 1990 um vexame em debate ao vivo pela BBC, completamente bêbado. Sabia que ele tinha bebido muito em menos de cinco minutos”, disse o apresentador do programa, Terry Wogan . Em 2002, teve de receber um transplante de fígado, destruído pela cirrose, voltando a beber logo no ano seguinte. No dia 3 de Outubro de 2005, foi internado às pressas no hospital Cromwell de Londres com problemas nos rins.

Os seus últimos dias foram no hospital, ao lado da sua família e do amigo Denis Law. Aos pés da cama, uma carta com a seguinte assinatura: “Do segundo melhor jogador de todos os tempos, Pelé. Sobre ela, Best disparou: “Este foi o último brinde da minha vida.

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No dia 20 de Novembro, teve o seu último gesto de nobreza: deixou-se fotografar no seu estado lamentável no quarto do hospital onde estava pela imprensa, com a mensagem: “Não morra como eu. Morreria cinco dias depois, com múltipla falência dos órgãos. Homenageado por multidões e políticos como grande estrela, foi enterrado com 59 anos ao lado da mãe na sua Belfast natal