A Tragédia de Khodynka – Rússia

18 Maio 1896

A Tragédia de Khodynka foi uma histeria colectiva que ocorreu em 18 de maio de 1896 no campo de Khodynka, em Moscovo, durante as festividades que se seguiram à coroação do último czar da Rússia, Nicolau II. Fez 1389 vítimas.

dinastia

Nicolau II foi coroado czar da Rússia em 14 de maio de 1896. Quatro dias depois, seria oferecido um banquete para o povo no campo de Khodynka. Na noite de 17 de maio, milhares de pessoas ouviram os rumores sobre ricos presentes do czar – os presentes eram na verdade um pão francês, um pedaço de salsicha, nozes, uvas passas, figos secos, biscoito e uma caneca em metal esmaltado, sobre o qual estavam gravadas as iniciais de Nicolau II e sua esposa, Alexandra Feodorovna.
O campo de Khodynka era um terreno vago rodeado de cabanas de madeira. No centro uma quantidade de fontes vertiam bebidas diversas. O terreno estava em estado deplorável, cheio de buracos não cobertos pelos organizadores. Ao lado das cabanas havia uma profunda ravina da qual se extraia a areia para conservar as ruas. Atrás dessa ravina, havia dois poços, escavados em 1891, por ocasião da Exposição Francesa.

Na véspera, a multidão atraída pela gratuitidade das diversas actividades começou a se dirigir ao campo. À meia-noite, 200 mil pessoas já lá se aglomeravam. Por volta das 4h00, a quantidade de pessoas se aproximava de 400 mil, a maioria procurava um canto para se deitar.

Khodynka
Às 10h00 estava programada a abertura do local reservado para as atrações. No entanto, logo cedo a multidão exigiu entrar. As pessoas encarregadas da distribuição das canecas foram tomadas de pavor e gritavam para acalmar o público. Rapidamente, a multidão penetrou em massa no campo de Khodynka, invadindo as casas de madeira.
Empurrados, mulheres, crianças e homens rolaram pela ravina onde se amontoaram gritando de terror. Outros empurrados para a ravina pisaram os que já se estendiam pelo chão. Os tapumes que cercavam os poços cederam ao peso da multidão e como títeres desarticulados, corpos giravam e caiam nas profundezas dos poços.
Alertados, os bombeiros e soldados do Exército formaram com dificuldade uma equipa de salvamento e o macabro recolhimento de cadáveres. Três a quatro mil corpos sem vida foram retirados dos poços e da ravina. As vítimas eram transportadas em carroças, mas a coberta de lona mal arrumada deixava ver braços e pernas já enrijecidos pela morte.

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O que poderia ser uma grande festa se transformou num verdadeiro pesadelo. O restante da jornada foi dedicada a transportar cadáveres a um depósito, feridos aos hospitais.
No final da manhã 300 mil pessoas ainda se encontravam no campo de Khodynka. Em razão da imensidão do terreno, muitos ignoravam toda a tragédia que acabara de acontecer. Sentados às mesas, bebendo e comendo, assistiam a espectáculos apresentados por comediantes ambulantes.
O povo russo ficou horrorizado com a tragédia, que afectou igualmente a família imperial. Era necessário sancionar os responsáveis. Um grande dilema se colocou diante de Nicolau II. A responsabilidade da organização das festividades de Khodynka havia sido confiada ao conde Vorontsov-Dachkov e ao grão-duque Serge, governador geral de Moscovo e tio do imperador. As investigações policiais fizeram emergir a culpabilidade do Grão-duque e de pessoas sob sua responsabilidade.