É fundada a companhia aérea – Varig

7 Maio 1927

No dia 3 de fevereiro de 1927, uma aeronave Dornier Wal, de fabricação alemã, percorreu o trajeto entre as cidades de Porto Alegre e Rio Grande. O hidroavião, baptizado de Atlântico, realizava o primeiro voo da aviação Aérea Rio Grandense, a Varig, que seria fundada oficialmente três meses depois, no dia 7 de maio, na capital gaúcha. O seu piloto era o criador e primeiro presidente da empresa, o alemão Otto Ernst Mayer, que havia chegado ao país em 1921.

Menos de um ano depois, no dia 7 de Janeiro de 1928, O GLOBO informava sobre a inauguração das instalações daquela que foi a primeira companhia aérea comercial brasileira e chegou a ser a maior da América Latina, com mais de 25 mil funcionários e uma frota de cerca de cem aeronaves. Na ocasião, o jornal noticiou: “Atendendo no que requereu a empresa de aviação Aérea Rio Grandense (VARIG) o Sr ministro da aviação aprovou as plantas para a construção dos edifícios a serem erigidos na Ilha Grande dos marinheiros, em Porto Alegre”.

INFOCHPDPICT000067377435

De tamanho modesto inicialmente e operando apenas na Região Sul, a Varig realizou a sua primeira expansão internacional em 1942, quando abriu uma linha para Montevidéu. A decisão foi tomada um ano após a renúncia de Ernst Mayer da chefia da empresa, que colocou o primeiro funcionário da empresa, Rubem Berta, na posição de liderança. Inspirado por uma bula papal de Leão XIII, Berta resolveu criar um modelo de ações para a empresa que perdurou até a sua falência nos anos 2000: o da fundação de funcionários. A partir daquele momento, a Varig passa a ser comandada como uma empresa controlada pelos seus empregados, por meio da Fundação Rubem Berta.

A Varig tinha uma frota de primeira e um serviço de primeira. A empresa comprava safras de vinhos franceses e produções inteiras de caviar russo. Era um verdadeiro banquete — explicou Luiz Gonzaga Achutti, piloto aposentado, em reportagem do jornal em dezembro de 2013. Ele se formou na mesma turma de Wiedemayer.

O prestígio da empresa se reflectia inclusive nas propagandas, com o famoso jingle “Varig, Varig, Varig”, um clássico da publicidade brasileira. Sob o comando de Erik Carvalho, a Varig havia se tornado a maior companhia aérea da América Latina. Ainda assim, foi nessa década que um dos maiores acidentes da história da empresa aconteceu: em 1973, o voo RG-820 teve de fazer um pouso forçado no Aeroporto de Orly, em Paris, por conta de um incêndio no banheiro. O acidente matou 123 pessoas e foi o estopim para regulações mais rigorosas sobre o uso de cigarros em aviões.

Varig 1927

Com gestões turbulentas e dívidas, a companhia experimentou novas maneiras de se posicionar no mercado. Uma delas foi a entrada na Stars Alliance, em 1997. O crescimento da TAM e o surgimento da Gol, concorrentes directas, além de uma administração ineficiente, má escolhas de investimentos paralelos e uma frota heterogénea, fizeram com que a Varig perdesse o posto de maior companhia aérea já nos anos 2000. Em 2005, a situação se tornou insustentável, e levou a empresa a entrar com um pedido de recuperação judicial, na época uma novidade na legislação brasileira. O caso assumiu os contornos de uma verdadeira novela que se estendeu por mais de um ano, onde o futuro da empresa era incerto, e a Fundação Rubem Berta chegou a ser afastada do comando. A queda foi tão grande que, em menos de dois anos, a empresa passou a ter apenas cerca de 2.500 funcionários e 20 aeronaves.

PP-VNA-B747-VARIG