Inauguração da famosa discoteca,”Studio 54” em Nova Iorque

26 Abril 1977

Aberta em 1977, boate reunia gente como Mick Jagger, Liza Minelli, Elton John, Michael Jackson, Valentino, Armani e Saint Laurent em busca de diversão e cocaína.

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Quem teve a sorte de frequentá-la, de 1977 a 1980, lembra-se do fenômeno que foi a empreitada de Ian e seu sócio, Steve Rubell. Os dois amigos, que já tinham comandado uma boate no Queens, desembarcaram em Manhattan com US$ 300 mil no bolso para transformar um antigo estúdio da rede de TV CBS no “Taj Mahal do amor livre” ou “Camelot da vida nocturna”, como o lugar ficou conhecido. A promotora brasileira Anna Maria Tornaghi, por exemplo, perdeu as contas de quantas vezes dançou até o som raiar na gigantesca pista.

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— Era um teatro enorme! A música era excelente, o sistema de som não podia ser melhor. E o serviço era super competente— relembra Anna, em reportagem publicada por “Ela Revista” na edição do GLOBO de 19 de novembro de 2017.

Quem não estava na lista de Carmen D’Alessio, a peruana radicada em Nova York que tinha os melhores contactos da cidade e foi chamada por Steve e Ian para badalar a discoteca, tinha que colocar a imaginação para funcionar. Não era preciso ir necessariamente elegante, mas chamar a atenção, ser ousado e emanar a energia de gente que ferve pistas era fundamental.

— Se você estivesse com roupas engomadinhas, não entrava. Nunca houve uma mistura de público como aconteceu ali — conta o empresário Ricardo Amaral, que relembra, aos risos, ter sido barrado uma vez, apesar de ser amigo de Carmen.

Considerada a mãe de todas as promoters, a peruana também era a mente criativa por trás das grandiosas festas onde todos queriam estar. Pense no castelo neoclássico montado dentro da boate para comemorar o aniversário do estilista Giorgio Armani, ou no jantar de US$ 100 mil para cem convidados de Paloma Picasso. Tudo ideia de Carmen. Steve e Ian só assinavam o cheque.

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Andy Warhol, na época publisher da revista “Interview”, com Bob Colacello na equipe, era o centro da rodinha mais animada. Mick Jagger trocava de namorada e todo mundo ficava sabendo quando ele levava a escolhida ao Studio 54. Os bambambãs da moda (Valentino, Armani, Lagerfeld, Saint Laurent e por aí vai) sempre comemoravam seus aniversários com festas épicas por ali.

O frenesi, no entanto, durou só três anos e meio. Steve (morto em 1989) e Ian encheram o cofre, só se “esqueceram” de dividir o bolo com o leão americano. Acusada de sonegação de impostos, a dupla foi presa e proibida de gerir boates. Outros até tentaram trazer o Studio de volta, mas a animação das antigas festas tinha terminado para sempre. — Ian e Steve colocavam três mil pessoas dentro da casa e cobravam cerca de US$ 30 dólares de entrada. Era um negócio fantástico — diz Carmen, antes de relembrar a famosa frase de Steve: “só a máfia faz mais dinheiro que o Studio 54”.