Nascia o poeta, Bulhão Pato

3 Março 1828

Nasceu a 3 de Março de 1829 em Bilbau, nas províncias vascongadas, e foi criado em Deusto, pequena e risonha povoação assentada sobre o rio, a uma légua da cidade. Era filho de Francisco de Bulhão Pato, poeta e fidalgo português, e de D. Maria da Piedade Brandy.

Na sua infância estava Espanha entregue aos horrores da guerra civil, deram-se os três cercos de Bilbau, e a família Bulhão Pato depois de sofrer grandes transtornos e inclemências, decidiu abandonar a casa onde vivia, e em 1837 retirou-se para Portugal. Os primeiros rudimentos de leitura, gramática, escrita e de língua francesa, aprendeu-os com seus pais. Depois de frequentar o colégio da rua do Quelhas, matriculou-se na Escola Politécnica em 1845.

Retrato_de_Bulhão_Pato_(1883)_-_Columbano_Bordalo_Pinheiro

Desde então, contando apenas quinze anos, começou a conviver com as primeiras capacidades literárias e políticas daquela época, como Alexandre Herculano, Garrett, Andrade Corvo, Latino Coelho, Mendes Leal, Rebelo da Silva, Gomes de Amorim, Zaluar, etc.; por vezes via-se na casa de Herculano, na Ajuda, na de Garrett e na de José Estêvão, onde costumavam reunir-se os homens de letras mais notáveis. Este convívio desenvolveu-lhe ainda mais a sua veia poética, que desde criança se manifestara. Os seus versos eram tão espontâneos e tão naturais, que o consagraram verdadeiro poeta.

Publicou o seu primeiro livro em 1850, com o título de Poesias de R. A. de Bulhão Pato; em 1862 apareceu o seu segundo livro, Versos de Bulhão Pato, e em 1866 o poema PaquitaEstes livros tiveram um grande sucesso literário, Acerca da Paquitaescreveram Alexandre Herculano e Rebelo da Silva palavras muito elogiosas. Publicaram-se depois, em 1867 as Canções da Tarde; em 1870 as Flores agrestes; em 1871 as Paisagens, em prosa; em 1873 os Cânticos e sátiras; em 1881 o Mercador de Veneza; em 1879 Hamlet, traduções das tragédias de Shakespeare, de Ruy Blas de Victor Hugo, 1881 seguindo-se outras publicações: Sátiras, Canções e Idílios; o Livro do Monte, em 1896, de que a imprensa muito se ocupou.

Lisboa Arte Pintura A E Hoffman Largo do Corpo Santo c 1833 01

Para o teatro, parece que escreveu apenas uma comédia em 1 acto, Amor virgem numa pecadora, que se representou no teatro de D. Maria em 1858, sendo publicada nesse mesmo ano. O sr. Bulhão Pato tem sido colaborador em diferentes jornais: Panfletos, 1858; a Semana, Revista Peninsular, Revista Contemporânea, Revista Universal, etc. Duas vezes foi convidado para deputado, mas sempre se recusou.

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Rezam as crónicas que o célebre prato de gastronomia “ Ameijoas á Bulhão Pato” se devem ao facto de este poeta se referir á cozinha tradicional em vários dos seus poemas.