Nascia o Treinador de futebol, Bobby Robson

18  Fevereiro 1933

«Gone, but not forgotten», é assim que os ingleses falam daqueles que partiram, mas nunca desapareceram, deixando para sempre uma marca indelével no coração de todos com quem conviveram.
Bobby Robson, é um desses raros homens que o destino levou para longe, mas que nunca foram esquecidos por aqueles com quem conviveram, pelos homens que lideraram, ou como no caso de Robson, que para sempre ficaram na memória dos adeptos que sempre viram nele um exemplo vivo do cavalheirismo britânico e do sportsmanship (2).
Sir Robert William Robson, nasceu a 18 de Fevereiro de 1933 em Sacriston, no condado de Durham, no nordeste de Inglaterra, sendo o quarto de cinco filhos de Philip e Lilian Robson (Watt de nascimento).

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A família mudou-se para a vizinha aldeia de Langley Park, onde o pai trabalhava nas minas de carvão. Cresceu entre a mina, a escola e os campos onde jogava à bola.
Pela mão do pai, deslocou-se várias vezes a St. James Park para ver o Newcastle, idolantrando Jackie Milburn e Len Shackleton, os dois médios interiores dos magpies. Curiosamente, seria a interior direito que Robson actuaria a maior parte da sua carreira.
Aos onze passou a jogar regularmente no clube local e aos quinze já jogava com os sub-18. Começou a trabalhar como aprendiz de electricista na companhia que geria a mina, quando com 17 anos, recebeu uma proposta de contrato para jogar no Fulham. Sem hesitar, e apesar de um convite do vizinho Middlesbrough, fez as malas e mudou-se para Londres.

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No Fulham, que um dia considerou «ser um bom clube, um clube sério, mas nunca capaz de lutar pelos títulos», começou na primeira divisão, para sentir a amargura da descida para a segunda, onde se manteve ao longo de quatro intermináveis épocas.

Trocou Londres por West Bromwich, passando a vestir a camisola do histórico WBA em Março de 1956, a troco de 25 mil libras, um recorde de transferência pago pelo clube das Middlands.

Em 1962-63 regressou ao clube de Craven Cottage, que entretanto regressara ao convívio dos grandes. Ficaria mais cinco anos em Londres, antes de ir pendurar as botas no Canadá, ao serviço do Vancouver Royals.

Penduradas as chuteiras, tirou um curso de treinador e em 1968 iniciou a sua carreira, precisamente no Fulham. Os londrinos lutavam pela permanência, com somente 16 pontos em 24 jornadas. Robson acabou por não conseguir dar a volta à situação e acabou demitido.

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Seria no Ipswich Town, para onde se mudou em 1969, que Robson começou a construir a aura de grande treinador que o acompanhou ao longo da carreira. As primeiras quatro épocas não foram as mais bem conseguidas, mas a direcção manteve confiança no projecto do jovem treinador e os resultados acabaram por chegar.

Ao longo dos treze anos do seu consulado em Ipswich, Robson contratou apenas quatorze jogadores, apostando nas escolas do clube, o que lhe permitiu criar uma grande identificação entre os jogadores e o clube. Além da Taça e de uma Taça UEFA, Robson liderou o Ipswich até dois vice-campeonatos, quase imitando o histórico feito de Alf Ramsey, que levara o Ipswich ao título em 1961-62.

Tal como Alf Ramsey, acabou por abandonar Ipswich para ir liderar a selecção inglesa que acabara de ser eliminada na segunda fase do Mundial de Espanha.

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Estaria com a selecção até 1990, cedendo apenas uma derrota nos 28 jogos que disputou em fases de qualificação.

Saído da selecção, Robson ansiava por um novo projecto em que pudesse trabalhar diariamente. Surgiu uma proposta do PSV Eindhoven, que aceitou prontamente, satisfeito com a ideia de treinar pela primeira vez no estrangeiro. Na Holanda conquistou dois campeonatos, mas alguns problemas com Romário, a incapacidade de falar a língua e os insucessos na Taça dos Campeões, levaram os dirigentes do clube a não quererem renovar o contrato.

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Foi então que surgiu Portugal na vida de Bobby Robson. O Sporting, presidido por Sousa Cintra foi buscá-lo à Holanda, entregando-lhe uma jovem e promissora equipa que contudo, não parecia ser capaz de disputar o campeonato com os rivais Porto e Benfica.
Em Alvalade teve como tradutor o jovem José Mourinho, que nos anos seguintes viria a tornar-se o seu braço direito. O Sporting ficou pelo terceiro lugar, mas na época seguinte, com Figo, Balakov, Paulo Sousa e companhia, os leões prometiam fazer história. Líderes do campeonato e a jogar bom futebol, os leões foram surpreendidos na Taça UEFA pelo desconhecido Casino de Salzburgo. No regresso a casa, em pleno voo, Sousa Cintra fez um discurso duro em que despediu Bobby Robson, que escutava atónito a tradução de Manuel Fernandes, o adjunto que ia sentado ao seu lado…

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Desiludido, já pensava regressar a Inglaterra e pôr fim às aventuras europeias, quando recebeu um telefonema de Pinto da Costa que o resgatou para o Porto.
Na Invicta, liderou a equipa que ainda foi a tempo de acabar à frente do Sporting na tabela, e ganhar aos leões a final da Taça de Portugal, que foi a primeira vingança do inglês.

No verão de 1995, foi-lhe diagnosticado um melanoma, sendo obrigado a afastar-se do comando da equipa por longo tempo, tendo sido substituído por Inácio no banco. Robson recuperaria totalmente da doença, liderando os dragões à conquista do bicampeonato.

No Barcelona, seria responsável pela contratação do brasileiro Ronaldo, peça fundamental na conquista da Taça do Rei, Supertaça e Taça dos Vencedores das Taças.

No final da época, deixou o cargo para o holandês Louis van Gaal, passando a assumir o cargo de manager até ao final do ano.

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Abandonaria então Barcelona para voltar a Eindhoven onde não foi muito feliz. Em 1999 passou para o Newcastle, o clube do seu coração, que treinou até ao final da carreira em 2004.
A partir daí, radicado em Newcastle, ainda foi consultor da seleção irlandesa durante o ano, dedicando o resto do tempo a lutar contra a doença que o teimava em perseguir. Em 2006 foi operado um tumor no cérebro e aproximadamente um ano mais tarde, foi-lhe diagnosticado um cancro pela quinta vez, desta vez nos pulmões.
Doença que o venceria, após uma tremenda luta que terminou a 31 de Julho de 2009. Robson acabou por não resistir após uma luta heróica, debilitado por anos e anos de tratamentos, e constantes regressos da doença.

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