Inaugurada a Ponte pencil D. Maria II no Porto

17  Fevereiro 1843

Por uns segundos confuso com esta designação? Que ponte é esta?! A do caminho-de-ferro? Não, essa era a de D. Maria Pia, a princesa italiana que casou com o rei D. Luís e que em 1910 foi obrigada, já idosa, a embarcar para o exílio juntamente com o neto D. Manuel II. Na verdade, esta ponte é a estrutura que ficou conhecida por ponte pênsil, nome pela qual os jornais da época quase a tratavam em exclusivo, alternando com o termo ponte sobre o Douro. Teve o mérito de ser a primeira ponte permanente que existiu ligando as duas margens e constituía o remate da também primeira verdadeira estrada Lisboa-Porto. Levou o nome de D. Maria II, monarca reinante aquando da sua construção, que viria a falecer em 1853 durante o parto do décimo filho.

Ponte D. Maria II ou Ponte Pênsil - Prova actual em papel salgado a partir dum calótipo de Frederick William Flower.

 

O conjunto dado por aquela estrutura, pela silhueta da cidade velha atrás e os “longínquos” montes do Candal, Arrábida e lá bem ao fundo a foz do Douro; transportam sempre para uma época em que – incompreensível para o portuense de hoje – o Porto era ali. As localidades não se entrecruzavam, Massarelos e Cedofeita eram arrabaldes e o mundo andava talvez a um ritmo mais humano. Não ocorrera ainda a cisão da paisagem, que a ponte Luiz I viria a impor com a sua colossal massa de ferro… Estávamos portanto na presença do Porto do romantismo na sua plenitude!

PênsilV2

Deu-se princípio a esta ponte no dia 2 de Maio de 1841, aniversário da coroação da rainha, ao tempo a senhora D. Maria II. No dia 1 de Fevereiro de 1843 já se achavam completas as obras principais e esperava-se apenas ordem do governo para a inauguração e abertura da ponte, dispondo-se os representantes da companhia construtora para tornarem aquele acto solene e aparatoso; mas sobrevindo uma cheia no Douro, que obrigou a retirar, na forma do costume, a velha ponte de barcas no dia 17 de Fevereiro daquele ano, abriu-se para o trânsito público a nova ponte nesse dia de 1843.

Ponte das Barcas

Foi feita esta ponte sob a direcção do engenheiro de Claranges Luccotte, a expensas de uma companhia de accionistas que a devia fruir por espaço de 30 anos, entregando-a no fim deles ao Estado, de quem é propriedade, e foi construída na praia de Miragaia, no mesmo local que hoje ocupa a nova Alfândega; e para aquele efeito, a empresa construtora levantou ali um amplo abarracamento para montar as forjas e mais oficinas necessárias, precedendo licença da Câmara Municipal, e assinando a companhia um termo pelo qual se obrigava a demolir tudo, e repor aquele chão no estado em que o encontrou, apenas terminasse a obra, cláusula que a empresa por último não queria cumprir, mas a Câmara recorreu ao poder judicial, oficiando ao juiz eleito da freguesia de Miragaia, a fim de compelir (como compeliu) a empresa a satisfazer o estipulado.»

DSC04509_1024x768