Partido Comunista Italiano deixa de existir

3 Fevereiro 1991

O PCI nasceu em 21 de Janeiro de 1921, de uma cisão da esquerda do Partido Socialista Italiano(PSI), liderada por Amadeo Bordiga e Antonio Gramsci, que abandonaram o Teatro Goldoni, em Livorno, durante o XVII Congresso Socialista, convocando o congresso constitutivo do novo partido, no Teatro San Marco.

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Nos seus primeiros anos, o partido foi dominado por uma tendência maioritária, mais à esquerda, constituída em torno de Amadeo Bordiga. Assim como os comunistas russos, o Partido Comunista da Itália tinha como objectivos destruir o Estado burguês, abolir o capitalismo e realizar o comunismo através da revolução e da ditadura do proletariado, nos termos definidos por Lenine. Mas, por ocasião do seu III Congresso, realizado clandestinamente em Janeiro de 1926, na cidade de Lyon, ocorre uma decisiva mudança de orientação, com a aprovação das chamadas Teses de Lyon, de Gramsci, após o que a esquerda de Bordiga passa a ser minoritária, acusada de sectarismo, sendo posteriormente expulsa do partido, em 1930, sob a acusação de trostskismo.

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Na década de 70, o PCI será um dos principais expoentes do eurocomunismo, uma corrente de oposição ao stalinismo, favorável ao pluralismo político, com respeito à democracia ocidental. Não obstante um gradual distanciamento em relação ao PCUS, promovido sobretudo por Enrico Berlinguer – sucessor de Luigi Longo na direcção do Partido – o Partido Comunista Italiano permaneceu por muito tempo ligado à União Soviética e manteve relações com todos os partidos comunistas do chamado bloco comunista.Mesmo após a manifestação pública das suas divergências com o PCUS, continuou sendo subsidiado pela URSS. Somente no período 1971-1990, o PCI teria recebido secretamente 47 milhões de dólares do governo soviético – contra 50 milhões enviados ao partido comunista francês e 42 milhões, ao partido comunista dos EUA.

À medida que o PCI se fortalece, a Itália vai-se tornando um país claramente dividido entre comunistas e democratas cristãos – até então a principal força política do país. A partir do massacre da Piazza Fontana, em Dezembro de 1969, o país entra nos anos de chumbo – que só deverão terminar após o atentado da gare de Bolonha, em 1980.

Em 1976, o PCI conseguiu quase 35% dos votos, tornando-se o maior partido comunista do Ocidente. Enrico Berlinguer, secretário do PCI, tenta então estabelecer um pacto para unir o país, através do chamado “compromisso histórico” com a Democracia Cristã (DC). Mas o assassinato do líder democrata cristão Aldo Moro, em maio de 1978, pelas Brigadas Vermelhas, traumatiza o país e coloca um fim à experiência de aproximação entre os dois maiores partidos da península, na época.

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Em 1991, o PCI se dissolve, sendo sucedido pelo Partido Democrata de Esquerda (PDS, que posteriormente passou a se chamar Democratas de Esquerda, DS), mas a ala mais radical se separa dessa decisão, criando partidos que se reclamam como continuadores do comunismo em Itália: Partido da Refundação comunista (PRC) e o Partido dos Comunistas Italianos (PdCI).