É oficializado o Hino Nacional do Brasil por Francisco Manuel da Silva

20 Janeiro 1890

Tocado em continência à Bandeira Nacional, ao Presidente da República e em cerimonias de carácter patriótico, o Hino Nacional Brasileiro é dono de uma história contextualizada na passagem do Brasil Império para o Brasil República. Admirado como um dos mais belos do mundo, o Hino Nacional, nem sempre é compreendido pela maioria dos brasileiros, por possuir em sua letra diversas palavras em desuso ou excessivamente formais.

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A música do Hino Nacional Brasileiro foi composta em 1822, pelo maestro e compositor Francisco Manuel da Silva, para a comemoração da Independência obtida em 7 de Setembro. Chamado inicialmente de “Marcha Triunfal”, o Hino ganha popularidade em 1931, quando teve adicionados os versos de Ovídio Saraiva de Carvalho e Silva, que comemoravam a abdicação de D. Pedro I. Com a coroação de D. Pedro II, a popular música de Francisco Manuel da Silva ganha uma nova letra, menos ofensiva aos portugueses, e passa a ser considerada – embora não sendo oficializada – como o Hino Nacional.

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Com a Proclamação da República, em 1889, o governo provisório – que associava a composição de Francisco Manuel com a figura do Imperador – resolveu fazer um concurso para a escolha de um novo hino nacional que reflectisse o espírito republicano. O concurso pretendia escolher uma nova composição musical, já que, o poema, feito por José Joaquim de Medeiros e Albuquerque, tinha sido escolhido, como letra para o novo hino, pelo Ministério da Justiça.

Entretanto na defesa para a permanência do hino de Francisco Manuel, o jornalista Oscar Guanabarino, argumentava, apelando para o Marechal Deodoro da Fonseca, com as seguintes palavras: “Marechal, nos campos do Paraguai, quando à frente das colunas inimigas a vossa espada conquistava os louros da vitória e as bandas militares tangiam o Hino Nacional, qual era a ideia, qual o nome que acudia à vossa mente no instante indescritível do entusiasmo – a Pátria ou o Imperador?”

Essas palavras tiveram forte efeito. Assim, em 20 de Janeiro de 1890, no Teatro Lírico, – onde se realizou o concurso – foi redigido um decreto pelo Ministro do Interior, Aristides Lobo, oficializando a música de Francisco Manuel da Silva, como o Hino Nacional, e a música de Leopoldo Miguez – ganhadora do concurso -, aliada a letra de Medeiros e Albuquerque, como o Hino da Proclamação da República.

Só em 1909, através de um novo concurso, é que o Hino Nacional – tocado durante muito tempo sem ser cantado – ganhou uma letra. O poema feito por Joaquim Osório Duque Estrada  apresenta trechos – “Nossos bosques têm mais vida, “nossas vidas mais amores” –  do poema  “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias, feito em 1843 e representante da temática nacionalista da primeira fase do Romantismo Brasileiro. Em 6 de setembro de 1922, a letra é oficializada pelo presidente Epitácio Pessoa, com a adaptação na música de Francisco Manuel, feita por Alberto Nepomuceno. Só em 1º de setembro de 1971 é que o Hino Nacional, com música de Francisco Manuel e letra de Joaquim Osório, foi oficializado  pela lei 5.700, onde se encontra as obrigatoriedades e proibições quando da execução desse símbolo brasileiro.