1º Ministro da Austrália desaparece quando nadava em PortSea – Austrália

17 Dezembro 1967

A 17 de Dezembro de 1967, o primeiro-ministro australiano deu um mergulho no mar em Cheviot Beach, não muito longe de Melbourne. Nunca mais ninguém o viu.

Holt nascera em Sydney, em 1908, e depois de ter sido eleito deputado em 1935, tornou-se o membro do governo mais jovem da Austrália em 1939. Em 1966, depois de décadas a alterar entre o desempenho de cargos governamentais em várias pastas com passagens pela oposição, Holt sucedeu a Robert Menzies na liderança do Partido Liberal e do governo.

A 17 de Dezembro de 1967, Holt desceu à praia de Cheviot com outras quatro pessoas: Marjorie Gillespie, a sua filha Vyner, Martin Simpson, namorado de Vyner, e Alan Stewart. Holt ia àquela praia porque tinha uma casa em Portsea, e o exército deixava-o andar na praia de Cheviot porque, sendo fechada ao público, oferecia privacidade ao primeiro-ministro. O que, claro, significava também que não havia qualquer segurança ou salva-vidas no areal quando Holt se lançou à água.

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A revolta do mar terá assustado Charlotte e Vyner, mas Holt procurou tranquilizá-las, dizendo que “conheço esta praia como as costas da minha mão”. De seguida, avançou pelas rochas, seguido por Simpson, que parou rapidamente quando sentiu a força da corrente, e Stewart, que não quis ficar para trás ao ver que Holt “conseguia” entrar na água, mas que também logo voltou para trás quando sentiu a “turbulência perigosa”.

Pouco depois, todos os quatro acompanhantes de Holt perderam-no de vista. Nem eles, nem ninguém, alguma vez o voltaria a ver.

Stewart procurou ajuda. Vieram mergulhadores, mas a corrente era demasiado forte para que pudessem entrar na água em segurança. Vieram helicópteros, que  sobrevoaram a zona, mas não encontraram sinal do primeiro-ministro. Vieram o Exército, a Marinha, a Guarda Costeira. Só não veio Holt.

Dois dias depois, Holt era oficialmente declarado morto. À altura, a lei australiana previa que não se podia realizar um inquérito sobre a morte de alguém sem se encontrar o corpo do suposto falecido, portanto a morte do primeiro-ministro nunca foi investigada. Como seria de esperar, numa altura em que a memória do assassinato de John F. Kennedy ainda estava fresca, e as teorias da conspiração em torno dos acontecimentos de Dallas começavam a propagar-se, logo a morte de Holt ficou envolta em suspeição.

Harold-Holt

A hipótese de suicídio foi logo avançada por muitos, incluído o seu colega de governo Doug Anthony. O facto de Holt ser um ávido mulherengo (Marjorie Gillespie seria sua amante, “uma de muitas na fila da direita”, diria a mulher de Holt décadas mais tarde) tornava plausível o cenário de um suicídio relacionado com uma eventual descoberta de uma relação extraconjugal e ameaça da sua divulgação pública. Além disso, o apoio de Holt à guerra do Vietname estava a gerar uma forte onda de protestos no seu país, e muitos acreditavam que Holt sofria de uma depressão provocada por essa circunstância da sua vida política.

O Vietname estava ainda na origem de uma outra teoria: Holt teria sido morto pela CIA, que descobrira pelos seus subreptícios meios que o primeiro-ministro australiano estava a reconsiderar esse apoio ao esforço militar americano no sudeste asiático, e entendera resolver o problema de forma permanente.

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