Portugal adere á ONU

14 Dezembro 1955

Portugal apresentou a sua candidatura a membro de pleno direito da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1946,tendo sido logo recusado, situação que se repetiria anualmente até 1955,ano da adesão efectiva.

Apesar de apresentar a sua candidatura com base num convite de 3 estados membros permanentes do Conselho de Segurança; França, EUA e Reino Unido, Portugal era sempre confrontado com o veto da URSS que fazia o mesmo a outros Países candidatos como a Áustria , Finlândia ou Irlanda entre outros.
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Este veto inseria-se na política de confronto político e diplomático entre Moscovo e Washington do pós-guerra. A adesão de Portugal só aconteceu quando se elaborou um “pacote” de vários países candidatos que foi negociado entre as duas super potências.

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Mas a candidatura portuguesa não deixava de possuir algumas antipatias internas, como a do próprio Oliveira Salazar, que via os princípios de fundação e actuação da ONU como embaraçosas para a política colonial e internacional do regime.
Temia  se o fim da integridade territorial e colonial do País e mesmo a continuidade do Estado novo, assente no polémico “orgulhosamente sós”.
Todavia, até ao fim da década de 50, a ONU pouco alterou a política internacional portuguesa e a relação do regime com os seus territórios ultramarinos.
Com o desencadear do processo internacional de descolonização, Portugal começou a sentir pressões no seio da ONU, graças à cada vez mais forte presença de novos países que antes eram colónias europeias.

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O art.º 73.º da Carta das Nações Unidas consagrava o princípio de autodeterminação dos povos, mas Portugal parecia não querer incluir as suas colónias na aplicação desse pressuposto, optando por, intransigentemente, forçar a ONU a aceitaras “especificidades orgânicas” do regime salazarista.
Na ONU, porém, nem tudo era fácil para os novos países afro-asiáticos anticolonialistas, pois as potências europeias pretendiam afastar o debate e resolução dos problemas coloniais da sede da Nações Unidas.
Só que as pretensões dos EUA e da URSS em dominar estrategicamente os novos países então designados do Terceiro Mundo, veio derrubar aquelas pretensões de alguns países europeus, cada vez mais relegados para um papel secundário na ONU.
Neste quadro político e anticolonialista desenvolveu-se a actuação de Portugal na ONU até 1974.