Nascia o filosofo francês, Voltaire

21 Novembro 1694

Um dos filósofos que mais influenciou as revoluções francesas e americanaVoltaire foi um proeminente crítico da Igreja Católica e sua relação com o Estado, defensor da liberdade de expressão e de religião. Foi classificado como um “polémico satírico” na sua época, por utilizar os seus trabalhos para criticar a intolerância, as instituições e dogmas religiosos. O seu nome era François-Marie Arouet, Voltaire foi o pseudónimo, um anagrama adaptado do seu nome, que utilizou em muitas das suas obras, a partir da sua prisão na Bastilha em 1718. Actualmente sabemos que Voltaire utilizou pelo menos outros 178 pseudónimos durante a vida.

Voltaire foi um defensor da hipótese poligenista, segundo a qual cada variação da espécie humana teria uma origem diferente e, de acordo com William Cohen, o tipo de humanidade poderia ser diferente entre um tipo de humano e outro. Particularmente, Cohen afirma que, para Voltaire, pessoas negras não possuiriam o mesmo tipo de humanidade que pessoas brancas. Esta posição levou a confusões acerca da posição de Voltaire quanto a escravidão. Tal confusão é, em parte, esclarecida quando o autor comenta a obra de Montesquieu, afirmando que, embora o autor esteja errado sobre muitas coisas, esteve sempre certo ao criticar os fanáticos defensores da escravidão.

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Sua posição poligenista foi particularmente importante na sua rejeição aos dogmas da igreja, especialmente a ideia de que a humanidade teria surgido a partir de um único casal, Adão e Eva, cuja história seria relatada na bíblia cristã e defendida pela Igreja Católica. Embora a Igreja Católica fosse seu principal adversário, Voltaire era crítico do judaísmo, cristianismo e islamismo, classificando-as como absurdas e ridículas, com especial ênfase para as tentativas de imposição da fé por meio da lei e da guerra. Por outro lado, Voltaire mostrou-se particularmente simpático ao hinduísmo, manifestando seu apreço pelo respeito aos animais, que ele via como característico daquela religião. Utilizou-se também da antiguidade do hinduísmo como evidência contra os argumentos bíblicos.

No ensaio Des singularités de la nature, Voltaire defende o preformismo, a ideia de que organismos desenvolvem-se a partir de versões menores de si mesmos, a existência de um ser supremo e a ideia de que certos elementos da natureza foram propositadamente criados para beneficiar os seres humanos, demonstrando assim que, embora seja um propositor da inteligência dos animais, mantinha uma posição centrada na humanidade. Segundo ele, por exemplo, montanhas eram especialmente projectadas para tornar a vista agradável.

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Em termos políticos, na percepção de Voltaire, a burguesia francesa era pequena e ineficiente, a aristocracia parasita e corrupta, e a igreja estática e opressora. Desconfiou da democracia, defendendo que esta serviria apenas para perpetuar a ignorância e a grande quantidade de analfabetos existente na França, já que os indivíduos que exerceriam esta democracia eram os próprios ignorantes e analfabetos, sem conhecimento e experiência politica para dirigir os rumos da nação. “Democracia” para Voltaire significa democracia directa.

Inicialmente Voltaire defendeu que, com as instituições do seu tempo, seria necessário um rei iluminado para promover qualquer mudança significativa, e que seria do interesse deste rei promove-las, uma vez que um povo que vive em melhores condições e com melhor educação seria capaz de compreender o papel do rei neste cenário. Em correspondência à Catarina, a Grande, Voltaire defendeu que de todas as coisas grandiosas, quase nenhuma foi realizada por alguém que não fosse um génio com firmeza, que levanta-se sozinho para combater os preconceitos da multidão. No entanto, após analisar o comportamento do rei Frederick, o Grande, Voltaire concluiu que não havia esperança na monarquia, passando a defender que caberia ao povo francês realizar as mudanças necessárias.