Nascia o Historiador Português , José Hermano Saraiva

3 Outubro 1919

Nascido em Leiria a 31 de Dezembro de 1917, António José Saraiva é um dos seis filhos (sete, visto que um morrera ainda em criança, com uma peritonite) da família Saraiva, quatro rapazes e duas raparigas. O pai, iniciado no ofício de marçano, conseguira, a seu custo, tirar o curso de História e era professor de liceu com um salário modesto.

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António José Saraiva sempre considerou o seu irmão predilecto José Hermano Saraiva, que aparte das divergências políticas, (António José, seria militante do Partido Comunista Português e José Hermano Saraiva, Ministro da Educação do Estado Novo salazarista), conservariam nos seus espíritos “um sentimento de orgulho camponês, um forte apego aos princípios aristocráticos dos homens talhados pela terra“. Aos nove anos ausentar-se-ia de Leiria, para uma visita à Beira (Serra da Estrela e Gardunha), para onde voltaria aos quinze anos, depois de ser vítima de uma espécie de meningite, desta vez para ficar.

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É durante a sua passagem pela faculdade que trava conhecimento com Óscar Lopes, em 1940. Nessa altura encontravam-se os dois no liceu Pedro Nunes, em estágio pedagógico. Treze anos mais tarde, em 1953, começam a escrever a História da Literatura Portuguesa.

Mais tarde, continua a sua actividade de estudioso, e em 1942, conclui o doutoramento em Filologia Românica, na Universidade de Lisboa, com a tese “Gil Vicente e o fim do Teatro Medieval”.

Detentor de uma certa “rebeldia institucional” foi expulso do ensino universitário. Dita a história que António José Saraiva, na ocasião membro de um júri de exame presidido por Vitorino Nemésio, atribui uma nota de exame que Nemésio, considerando-a muito elevada, baixara. António José Saraiva abandona a sala e Nemésio move-lhe um processo disciplinar que apesar de ter sido arquivado, origina a sua saída. Por falta de recursos, António José Saraiva opta pelo ensino liceal.

Começa a leccionar no Liceu Passos Manuel, onde o pai exercia a função de reitor e onde casaria com uma sua aluna, da mesma idade, matrimónio do qual nasceriam três filhos (António Manuel, arquitecto paisagista, José António, director do jornal “Expresso” e Pedro António).

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A partir de 1946 e até 1949 leccionou em Viana do Castelo, altura em que seria demitido, por apoiar a candidatura do general Norton de Matos. Ao contrário do irmão, rejeitara a figura de Salazar, “Salazar era um homem respeitado e despertava uma admiração universal. Em mim também; mas eu era anti-salazarista por sistema, porque devia ser.” Entretanto era diversas vezes interpelado pela PIDE, de onde resultariam algumas prisões, aquando das suas acções de militância no Partido Comunista Português.

Após a sua demissão, e por sugestão do seu amigo Abranches Serrão, começa a escrever a “História da Cultura“. Nos anos que se seguiriam viveria exclusivamente daquilo que escrevia, colaborando em diversos jornais e revistas nacionais.

Em 1960 emigra, como exilado, para França, onde é bolseiro do College de France, e onde, um ano mais tarde será colocado no Centre National de Recherche Scientifique de Paris, na secção de História Moderna. Viria a Portugal apenas para assistir ao funeral dos pais e ao 1º de Maio de 1974.

É durante a sua permanência em Paris que o sonho do comunismo, até aqui sempre presente, se vai esbater. Realiza duas viagens à URSS (a segunda a um congresso sobre paz) e é a partir desta altura, em 1962/63 que deixa a militância no partido, continuando como colaborador.

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De Paris partiria para a Holanda, para o cargo de professor catedrático da Universidade de Amesterdão, onde leccionaria até 1974, altura em que volta definitivamente para Portugal, onde é convidado para professor catedrático da Universidade Nova de Lisboa, e posteriormente para a Universidade de Lisboa, igualmente para o cargo de professor catedrático. Continuaria até ao fim da sua vida a sua actividade. A sua última obra “Cultura” é já uma obra póstuma.

No dia 17 de Março de 1993 falece com 76 anos de idade, vítima de doença prolongada.