Nascia a actriz Romy Schneider

23 Setembro 1938

Romy Schneider foi uma maravilhosa Sissi no cinema, em cinco filmes de enorme sucesso e teve alguma dificuldade em se separar dessa imagem, mas como tinha verdadeiro talento acabou por se impor como actriz universal. Quando foi convidada, em 1958, para fazer o filme Christine com Alain Delon, a mãe, já uma reputada actriz acompanhou-a a Paris, vigiando-a de perto.

936full-romy-schneider

Como Romy não sabia francês, nem inglês os primeiros tempos das filmagens não foram nada fáceis e sabe-se que o amor entre Romy e Delon só surgiu já as filmagens iam adiantadas e quando puderam finalmente ficar sós numa viagem que fizeram a Bruxelas para participarem no Baile do Cinema. Aí sim, descobriram uma fortíssima atracção e Romy, num acto de independência decidiu passar a viver em Paris, enquanto a mãe se viu forçada a regressar a Colónia, com o padrasto, percebendo que tinha «perdido» a filha. Romy Schneider tinha 20 anos e Alain Delon 23 e durante anos os fotógrafos não os deixaram em paz. Nesse período de euforia amorosa, os «namorados eternos» chegaram, em Março de 1959, a declarar «oficialmente» que estavam noivos. Jamais se casariam. Foram o par mais harmonioso e bonito do cinema europeu, como o foram, nos anos 90 Tom Cruise e Nicole Kidman.

Romy-Schneider-23-September-1938-29-May-1982-celebrities-who-died-young-28960037-1000-1333

A ex-Sissi fez questão de mostrar ao mundo que era muito mais que uma mulher deslumbrante, de uma beleza delicada, com uns olhos entre o verde e o azul num rosto perfeito, uma voz doce e um corpo de Afrodite. Podemos ver a sua beleza plena em fotos de vários fotógrafos, especialmente na série produzida pela fotógrafa britânica Eva Sereny em que posou nua, sem quaisquer inibições. Em 1963 já tinha na sua carreira dez filmes, pois iniciara a carreira aos 15 anos, num filme ao lado da mãe. Embora austríaca filmou também na Alemanha, em início de carreira.

00/08/1968. "LA PISCINE" TOURNAGE PAR JACQUES DERAY **N+B 9782/9794/9797/9813/10434/10436 **
Paris sorria-lhe. A grande dama da moda, Cocco Chanel adorava ver Romy vestida com os seus tailleurs e colares de pérolas e ficaram amigas. Usava-se o risco negro nos olhos, rímel, os lábios com baton vermelho e Romy aparecia sempre deslumbrante pois caprichava nas toilettes. Era elegantíssima, dentro e fora da tela. O realizador Visconti tornou-a num símbolo erótico, num episódio do filme Bocaccio 70. No ano seguinte Romy filmou O Processo, de Kafka com Orson Welles. A actriz contava que lhe chegavam às mãos centenas de guiões e que sempre os lia atentamente para apenas filmar bons argumentos com bons realizadores. Em 1963 foi a vez de Otto Preminger que consolidou a sua carreira de grande actriz internacional no filme O Cardeal. Foi dirigida por os mais prestigiados realizadores, como Claude Sautet, Claude Chabrol, Joseph Losey, Costa-Gavras. Andrzej Zulawski e tantos outros.

romy-schneider

O seu filme de maior sucesso (que não o melhor) foi, em 1968, A Piscina. Nessa altura os eternos namorados, Romy Schneider e Alain Delon já tinham acabado a sua tórrida relação de cinco anos (entre 1958-1963) mas Romy não deixou de mostrar o seu profissionalismo, embora os media especulassem que o filme os podia fazer de novo cair nos braços um do outro. Mas tal não aconteceu. Romy casou em 1964, com o realizador Harry Mayen. Do casamento de Romy nasceu David, esse filho adorado que a viria a marcar, até ao fim, a sua vida. Quando se divorciaram, em 1972, o marido exigiu-lhe metade da fortuna para que ela pudesse ficar com o filho e a actriz tudo deu por aquele filho que era a sua razão de viver. Cinco anos mais tarde esse desclassificado marido enforcou-se.

romy-schneider-and-her-son-david-celebrities-who-died-young-41406641-1200-800
A vida apesar de tudo sorria à bela Romy, que fez entre 1953 a 1982 sessenta e três filmes. De um segundo casamento com o seu secretário, Daniel Biasini, teve a filha Sara, em 1977. Mas Biasini não terá sido o companheiro ideal para uma Romy bastante fragilizada no domínio dos amores. Sucesso só no cinema, pois foi distinguida com dois Césares (os Óscares franceses) em 1976 e 1979, como melhor actriz nos filmes Une histoire simple e L’Important c’est d’aimer. Na vida privada Romy sofria depressões e sabe-se que se refugiava no álcool e comprimidos e que parava para fazer curas de desintoxicação. O cinema e os filhos davam-lhe sentido à vida.
Por fim a tragédia. Como na vida da imperatriz Sissi, que viu o seu filho Rodolfo suicidar-se com a amante do momento (hoje sabe-se que foram assassinados), também Romy passou pelo transe de ver o filho David morrer de forma trágica, espetado nas lanças do gradeamento que protegia a casa da actriz. Estava-se em 1981 e David tinha apenas 14 anos. Romy Schneider não mais se recompôs dessa dor insuportável. Tinha a filha Sara, ainda muito pequena e resolveu comprar uma propriedade e ir viver para o campo. Já separada de Biasini e com um novo companheiro passou a viver em Boissy-Sans-Avon e numa manhã triste de Maio de 1982 encontraram Romy morta. Tinha 43 anos. O mundo ficou consternado com a sua morte. A França que sempre considerou Romy Scnheider como «sua», em 1995 fez a emissão de uma moeda de ouro de cem francos com o seu rosto.

Romy-Schneider-in-Andrzej-Zulawskis-LIMPORTANT-CEST-DAIMER-1975