Morte de Aristides de Sousa Mendes

3 Abril 1954

“Morreu a comer a sopa dos pobres. Durante o Governo da ditadura ninguém sabia que existiu Aristides de Sousa Mendes”. Com estas palavras, o antigo presidente da Assembleia da República, Fernando Amaral, alertou ontem, em Viseu, para a necessidade de se continuar a divulgar “os feitos nobres” de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul português em Bordéus que salvou cerca de 30 mil pessoas do extermínio nazi.

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Depois de ter contrariado as ordens de Salazar, ao emitir os vistos a cerca de 30 mil pessoas (um terço judeus) perseguidas pelo regime nazi, Aristides de Sousa Mendes foi chamado de urgência a Lisboa. Na sequência de um processo disciplinar, foi afastado da diplomacia. E sabia-o, numa carta que o diplomata escreveu aos filhos: “Não sei o que o futuro vos destina, meus filhos, nem a vocês, nem à vossa mãe, nem a mim”. E continuou: “Materialmente, a nossa vida não será tão confortável”.

Aristides de Sousa Mendes era, em 1940, cônsul de Portugal em Bordéus, no sudoeste de França, onde chegavam diariamente centenas de milhar de refugiados de toda a Europa, que eram perseguidos pelos exércitos Nazis. Morreu a 3 de Abril de 1954, no Hospital da Ordem Terceira, na miséria e praticamente sozinho.

Angelina e Aristides de Sousa Mendes