Nascia o empresário português , Belmiro de Azevedo

17  Fevereiro 1938

Belmiro Mendes de Azevedo nasceu em Tuías, Marco de Canaveses, em 17 de Fevereiro de 1938. Era o mais velho dos oito filhos de Manuel de Azevedo, carpinteiro e agricultor, e de Adelina Ferreira Mendes, costureira. Do seu pai recebeu uma educação austera e de sua mãe, com quem manteve sempre uma relação afectuosa, o exemplo da diplomacia no relacionamento inter pessoal.

Começou mal a instrução primária. Chumbou na primeira classe, segundo o próprio, por culpa de um professor incompetente. No entanto, graças ao docente seguinte, Carlos da Silva, recuperou o tempo perdido, chegando a fazer os quatro anos letivos em apenas três. Uma vez que no seu concelho-natal não existia um liceu, Belmiro de Azevedo foi estudar para o Liceu Alexandre Herculano, no Porto.
Na cidade Invicta vivia com o tio e padrinho, Belmiro Pinto da Mota, fiscal de obras, que além do nome de baptismo lhe deu alojamento nos estaleiros de obras onde trabalhava, primeiro no Hospital D. Manuel e, depois, no laboratório da Serra do Pilar.

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Depois do liceu ingressou na Faculdade de Engenharia do Porto, em 1956, licenciando-se em Engenharia Química com a classificação de dezasseis valores, a segunda melhor média de 1964. O curso fora, no entanto, interrompido entre 1959-1960 para o cumprimento do serviço militar. A educação que buscou para si também procurou proporcioná-la aos seus irmãos, que alcançaram estudos médios. Na Universidade praticou desporto, nomeadamente andebol, no CDUP (Centro Desportivo Universitário do Porto) e, depois, no FCP (Futebol Clube do Porto).
Posteriormente, especializou-se na Universidade de Harvard (EUA) em Gestão de Empresas (1975) e concluiu, em 1985, na Universidade de Stanford (EUA), o “Finantial Mangement Programme”.
Devido às suas modestas origens, desde cedo foi obrigado a conciliar os estudos com o trabalho. No início dos anos sessenta, quando frequentava o 6º ano do curso, começou a trabalhar na EFANOR (Empresa Fabril do Norte), uma empresa têxtil localizada nos arredores do Porto, propriedade de Manuel Pinto de Azevedo, e na qual auferia um ordenado de 6 500$00. Nesse ano casou com Maria Margarida Carvalhais Teixeira de Azevedo, licenciada em Farmácia, de quem teve três filhos: Nuno, Paulo e Cláudia.

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Ao fim de dois anos de trabalho, Belmiro abandonou a EFANOR, por considerar que esta empresa pecava por falta de estratégia. Em Janeiro de 1965 passou a trabalhar como investigador na SONAE (Sociedade Nacional de Aglomerados e Estratificados), de Afonso Pinto de Magalhães, banqueiro, empresário e dirigente do FCP. Nesta empresa desencadeou rápidas e profundas mudanças que a transformaram num pequeno grupo empresarial.

No período revolucionário de 1974, Pinto de Magalhães partiu para o exílio e Belmiro de Azevedo assumiu o controlo da SONAE, que cresceu substancialmente nas décadas seguintes, abarcando novas áreas como a dos hipermercados (Continente e Modelo), a das comunicações (Jornal “Público”) e a das telecomunicações (Optimus). Posteriormente, o grupo procurou expandir-se internacionalmente e apostou no retalho especializado (Bonjour, Vobis, Worten, Sport Zone, etc).
A partir de 1985, a SONAE passou a ser cotada na Bolsa de Valores e Belmiro torna-se accionista maioritário do grupo.

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Em 2007, depois de 18 anos na direção da SONAE, transferiu a liderança para o seu filho Paulo de Azevedo, atual Presidente Executivo da Sonae SGPS e reservou para si o cargo de presidente do conselho de administração (chairman).
É membro do “European Union Hong-Kong Business Cooperation Committee”, do “World Business Council for Sustainable Development”, do “European Advisory Board da London Business School”, do Clube México-Europa 2000 e presidente do Conselho-Geral da EGP-Business School da Universidade do Porto.
Este emblemático empresário, detentor de uma das maiores fortunas nacionais e internacionais (classificado no 350º lugar da lista dos mais ricos do mundo, da revista “Forbes”), manteve uma disciplinada rotina diária. Levantava-se cedo, tomava o pequeno-almoço em casa e seguia para o ginásio depois do qual se entregava ao trabalho até cerca das oito da noite. Por norma, não levava grande volume de trabalho para casa.
Manteve a sua paixão pelo desporto, lia sobretudo livros e trabalhos da área de Gestão, mas, também, temas diversos, como História Moderna da Europa. Gostava de música clássica e brasileira e também um pouco de fado, em especial Amália Rodrigues e Alfredo Marceneiro. Via pouca televisão por considerar fracos os seus conteúdos, centrando as suas atenções em canais como a RTP2 e o National Geographic. Aos fins-de-semana, quando possível, juntava a família em Tuías.

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Vivia perto do Porto, cidade onde cresceu e que o entristecia por a achar, cada vez mais, um dormitório velho, desprovido de modernos equipamentos, sem poder decisório, e onde muitas instituições, como o Museu Nacional de Soares dos Reis ou o Palácio de Cristal, perderam o fulgor de outros tempos.

Belmiro de Azevedo morreu no Porto, a 29 de novembro de 2017, aos 79 anos de idade.

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