“ A Mensagem“ – Livro de Fernando Pessoa

7  Fevereiro 1934

Mensagem é um livro do poeta português Fernando Pessoa. Composto por 44 poemas, foi chamado pelo poeta de “livro pequeno de poemas”. Publicado em 1934 pela Parceria António Maria Pereira, o livro foi contemplado no mesmo ano com o Prémio Antero de Quental, na categoria de «poema ou poesia solta», do Secretariado Nacional de Informa;\ao, dirigido por António Ferro, o jovem editor da Orpheu, revista trimestral de Literatura, de que saíram dois números em 1915.

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Publicada apenas um ano antes da morte do autor, a obra trata do glorioso passado de Portugal de forma apologética e tenta encontrar um sentido para a antiga grandeza e a decadência existente na época em que o livro foi escrito. Glorifica acima de tudo o estilo Camoniano e o valor simbólico dos heróis do passado, como os Descobrimentos Portugueses. É apontando as virtudes portuguesas que Fernando Pessoa acredita que o país deva se “regenerar”, ou seja, tornar-se grande como foi no passado através da valorização cultural da nação. O poema mais famoso do livro é Mar Português.

Trata-se de um livro que revisita e, em boa parte, cria, uma mitologia do passado heróico de Portugal, repleta de símbolos, sebastianista, e que foi depois em parte incorporada na ideologia oficial da ditadura salazarista.

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Está dividido em três partes, com uma nota preliminar antecedendo-as. Todas elas, incluindo a nota preliminar, possuem epigrafes em latim. A primeira, Brasão, utiliza os diversos componentes das armas de Portugal para revisitar algumas personagens da história do país. A segunda, Mar Português, debruça-se sobre a época das grandes navegações, batendo à porta de figuras como o Infante D. Henrique, Vasco da Gama e Fern\ao de Magalhães, mas não se limitando a elas. A terceira, O Encoberto, é a parte mais marcadamente simbólica e sebastianista, voltando ainda a falar de outras figuras da história de Portugal. O termo “O Encoberto” é uma designação ao antigo rei de Portugal D. Sebasti\ao, o que demonstra sebastianismo. Sendo também uma desintegração, mas também toda ela cheia de avisos, fortes pressentimentos, de forças latentes prestes a virem à luz: depois da noite e tormenta, vem a calma e a ante-manhã (estes são os tempos).

Estes 44 poemas agrupados em 3 partes, representam as três etapas do Imperio Português: Nascimento, Realização e Morte, seguida de um renascimento.

Brasão – informações sobre a formação da nacionalidade, heróis lendários e históricos.

Mar Português – descobertas, aventura marítima, conquista do império, (Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce: Tudo vale a pena se a alma não é pequena) ânsia do desconhecido e esforço heróico da luta com o mar.

O Encoberto – morte das energias de Portugal simbolizada pelo nevoeiro. Afirmação do Sebastianismo. País na estagnação à espera do ressurgir, do aparecer da Nova Luz (quinto imperio).