Portugal adere á Comunidade Europeia

1 Janeiro 1986

Faz hoje anos que a “jangada de pedra” se amarrou mais forte ao resto do continente. Em 1 de Janeiro de 1986, Portugal entrava, ao lado de Espanha, nas Comunidades Europeias, quase dez anos depois de ter entregue formalmente o pedido de adesão.

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Começava aí o “sonho europeu” embalado por uma  trilha sonora feita de acasos e equívocos. Muito mudou desde que Portugal aderiu à então CEE, mas palavras como Grécia, crise, austeridade, pobreza e dívidas enchem os jornais de hoje – tal como então.

Ansiava-se por uma “via verde” rumo ao desenvolvimento, mas “esta visão rósea cedo começou a desfazer-se”, em boa medida devido a culpas internas. “A má governação não permitiu aproveitar as potencialidades da Europa”, sentencia Rui Machete. Ainda assim, não tem, porém, dúvidas de que a opção foi a acertada: a União Europeia era – e é – a melhor garantia de segurança e estabilidade dos seus países e povos.

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Mais optimista, Cavaco Silva considera que o país respondeu bem aos desafios da adesão, “um dos marcos mais relevantes da História de Portugal no século XX”. “Ao longo destas três décadas de participação no projecto europeu, Portugal assumiu plenamente o seu papel enquanto parceiro responsável, activo e até decisivo em certos momentos. Estivemos à altura, superámos muitas dificuldades e desafios, transformámo-nos estruturalmente e desenvolvemo-nos económica e socialmente”, escreveu o Presidente da República numa carta recentemente enviada aos líderes das principais instituições europeias.

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Já Mário Soares, à época primeiro-ministro, faz um balanço muito crítico, sobretudo do actual estado da União Europeia, mas continua a defender sem hesitações a opção que tomou em 1977, ano em que entregou o pedido de adesão. “Os motivos que estiveram na origem da decisão de aderir à CEE, e que alguns portugueses na altura contestaram mas que os partidos maioritários na Assembleia da República apoiaram, não foram, ao contrário de que alguns julgam, essencialmente económicos, mas sim políticos e sociais, relacionados com um grande desígnio para Portugal: a consolidação da democracia pluralista, social e civil. Mas também o reconhecimento de que o ciclo colonial terminara com a descolonização e a independência dos países antes colonizados. Para benefício de todos.