Massacre de Santa Cruz – Timor

12 de Novembro 1991

No dia 12 de Novembro de 1991, o repórter de imagem britânico Max Stahl, conseguiu filmar o massacre que ocorreu no cemitério de Santa Cruz, onde as tropas indonésias conseguiram matar 271 pessoas, a maioria jovens. Umas semanas depois, Stahl enviou a cassete com as imagens horríveis para a Organização das Nações Unidas (ONU). O mundo despertava para a realidade de Timor Leste.

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No mês de Outubro de 1991, uma delegação parlamentar portuguesa planeou visitar Timor Leste e endereçou o convite a 12 jornalistas. O objectivo dessa viagem a Díli coincidia com a visita do representante especial das Nações Unidas para os Direitos Humanos e Tortura, Pieter Kooijmans. O governo da Indonésia quando teve conhecimento que na lista de jornalistas estava incluída a australiana, Jill Jolliffe, levantou alguns obstáculos o que fez com que os parlamentares portugueses anulassem a viagem.

Os serviços secretos indonésios tinham informações precisas de que a jornalista Jill Jolliffe ajudava e dava apoio directo ao movimento independentista da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN) liderada por Xanana Gusmão.

Quando os movimentos independentistas de Timor Leste, souberam da anulação da viagem dos deputados portugueses optaram por fazer vigílias e manifestações em Díli contra a presença dos militares indonésios. Em contra partida, o governo Indonésio investiu mais no apoio directo às milícias pró-integração e no dia 28 de Outubro, os militares indonésios foram até à Igreja de Motael onde se encontravam muitos jovens que faziam parte da resistência timorense. O independentista Sebastião Gomes foi abatido por soldados indonésios e o integracionista Afonso Henriques, foi morto durante a luta entre os membros de ambos os movimentos.

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No dia 12 de Novembro de 1991, reuniram-se mais de duas mil pessoas na Igreja de Motael numa missa dada pelo bispo Ximenes Belo, em memória de Sebastião Gomes, seguindo-se uma marcha até ao cemitério de Santa Cruz, para prestar homenagem ao jovem independentista.

O exército indonésio considerou essa marcha uma provocação e abriu fogo sobre os manifestantes, muitos deles jovens, matando 271 pessoas no local, vindo a falecer posteriormente mais 127, com ferimentos graves. Muitos jovens foram presos nesse dia e só conseguiram a liberdade em 1999, na altura em que se fez o referendo pela independência de Timor Leste.

Max Stahl, um repórter de imagem britânico que se encontrava dentro do cemitério conseguiu filmar o massacre e esconder a cassete com as imagens. Uns dias mais tarde fez chegar o filme do massacre à Organização das Nações Unidas (ONU). Esse massacre macabro, levado a cabo pelos militares indonésios, foi mostrado através das televisões de todo o Mundo e Timor Leste viria a conseguir a sua independência.