Brian Epstein descobre os Beatles

9 de Novembro 1961

Este foi o Homem que pôs na ordem os quatro garotos arruaceiros de Liverpool. Brian tinha pavor de rock’n’roll, mas um instinto inegável em farejar talentos..

A  27 de Agosto de 1967, morria aos 32 anos Brian Samuel Epstein, empresário e considerado por muitos o quinto Beatle.

A maneira como a sua vida e a dos Beatles se cruzaram foi no mínimo engraçada. Brian cuidava de uma das lojas de discos do seu pai, a famosa NEMS — desde muito novo tinha jeito para os negócios. A responsabilidade também foi uma maneira dos seus pais o “ajustarem”. Brian já havia assumido a eles a sua homossexualidade e as suas pretensões de ser actor. A escola de actores foi uma decepção, e o serviço militar não surtiu o efeito desejado pelos pais (até acarretando alguns “problemas” indesejados), restando então dar a ele parte dos negócios da família.

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Por esta altura(1961), os Beatles já haviam ido e voltado de Hamburgo, trazendo uma certa “fama” com eles. Haviam gravado um compacto com Tony Sheridan e todos na cidade queriam comprar o disco da “banda de Liverpool que esteve na Alemanha”, mas Brian não tinha o disco na sua loja. Como bom amante de Jazz, achava o Rock vulgar, música de ralé.

Acontece que a curiosidade sempre tenta. Regularmente deixavam na sua loja exemplares do magazine local, Mersey Beat, que falava sobre o cenário musical da cidade. Os Beatles estavam na capa da segunda edição, com as suas jaquetas de couro e o corte de cabelo da moda em Hamburgo. Epstein cedeu. Decidiu que iria vê-los tocar no Cavern uma noite.

E foi. Acompanhado do seu amigo e assistente Alistair Taylor, numa noite de Novembro de 1961 entraram no pequeno e abafadíssimo clube Cavern. Brian ficou absolutamente horrorizado com o ambiente – ele com o seu terno impecável perdido no meio de tanta gente barulhenta e “mal vestida”. Mas aí os Beatles começaram o seu show, e ele ficou maravilhado. Apesar da música barulhenta, ele viu charme e talento naqueles rapazes tão jovens. As garotas gritavam, os garotos vestiam-se como eles, e a música vendia. Brian viu nos quatro jovens um futuro de sucesso, e a solução dos seus problemas.

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Após a apresentação, Brian foi com Taylor ao camarim falar com os rapazes. George Harrison admitiu mais tarde que eles ficaram apavorados ao vê-lo ali – os quatro garotos conheciam bem o Sr. Epstein: era o dono da loja de onde roubavam os seus discos favoritos. Todos ficaram bem constrangidos, mas Brian cumprimentou os pelo show e saiu rapidamente. Mais tarde, ao conversar com o seu amigo, perguntou o que ele tinha achado da banda, ao que Alistair respondeu que a achou “simplesmente horrível”. Então Brian disse que gostou deles e que estava a pensar em ser seu agente.

Entrou em contacto com eles dias depois para perguntar se eles já tinham um empresário e se não gostariam de ser agenciados por ele. Como eram quase todos menores de idade, teriam que pedir permissão aos seus responsáveis; com excepção de John Lennon, que tinha acabado de fazer 21 e podia ignorar os conselhos de sua tia, que não havia permitido. Assinaram então um contrato de 5 anos com Brian Epstein, que acabara de fundar o seu NEMS Enterprises, que, além de lançar os Beatles, cuidou de algumas outras bandas de Liverpool.

Porém, haviam as cláusulas do contrato, e aqui eu acho que entra a parte engraçada da história. A primeira coisa que Brian os obrigou a fazer foi trocar os seus jeans e couro por terno e gravata. Depois, parar de interromper as músicas pra atender pedidos do público. E, não menos importante, parar de fumar, beber, comer, conversar, ou dormir no palco. Esses garotos indubitavelmente tinham talento, mas não tinham disciplina alguma. E, pra fechar com chave de ouro, ao final de cada música, deveriam se curvar ao público como forma de agradecimento.

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