“O Ser e o Nada“ – Livro de Jean Paul Sartre

11 de Agosto 1943

Uma das obras fundamentais de Jean-Paul Sartre, O Ser e O Nada (L’Être et Le Néant), é um ensaio filosófico datado de 1943.
O Ser e O Nada foi até agora traduzido em 28 idiomas, sendo objecto de análises as mais diversas e  dando origem a mais de quatro mil outros livros que, de uma ou outra forma, o comentam e glosam.

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Ao surgir, numa Europa em guerra e com a França ocupada pelos nazis alemães, O Ser e O Nada despertou espanto e polémica, sendo de imediato idolatrado e renegado. Sartre afirmou então que estudara a existência por um prisma inteiramente novo, muito embora O Ser e O Nada constitua uma síntese da obra filosófica por ele publicada até então (A Imaginação, Esboço de Uma Teoria das Emoções e O Imaginário). Uma obra muito marcada pela fenomenologia de Edmund Husserl e a ontologia de Martin Heidegger.
Simone de Beauvoir, a quem o livro é dedicado, disse na altura que Sartre «quis falar das coisas como as tocava e que isso fosse Filosofia». Sartre, enquanto escrevia O Ser e O Nada, dava aulas no Liceu Condorcet em Paris e concluía o romance Le Sursis (1º volume dos três que constituem Os Caminhos da Liberdade) e a peça Les Mouches. Em algumas passagens de O Ser e O Nada refez análises de um ensaio de psicologia, La Psyché, que deixou inacabado, para, 17 anos depois (em 1960), voltar a escrever um volumoso ensaio filosófico que intitulou Crítica da Razão Dialéctica. Aí, sem nunca renegar O Ser e O Nada, entrava em diálogo com o marxismo e conduzia a sua filosofia existencial ao engagement político.

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Sartre (cujo centenário este ano se comemora), através de um exame detalhado da realidade humana, desenvolve um prodigioso e completo sistema de «explicação total do mundo». Após uma introdução, intitulada Em busca do ser, o livro subdivide-se em seis capítulos (referentes ao conceito de fenómeno, ao cogito e ao ser) e em quatro partes. A primeira aborda o problema do nada, a má-fé e a conduta; a segunda o ser-para-si, suas estruturas, temporalidade e transcendência; a terceira o «para-outro», o corpo e as relações concretas com ele, e a quarta está relacionada com o ter, fazer e ser, liberdade, responsabilidade, psicanálise existencial e posse.

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