O México declara guerra aos Estados Unidos

23 de Maio 1846

Guerra Mexicano–Americana, também conhecida como Guerra Estados Unidos-México ou Guerra México/EUA, foi o primeiro grande conflito impulsionado pelas ideias do Destino Manifesto, a crença de que os Estados Unidos tinham o direito, dado por Deus, de expandir as suas fronteiras por toda a América, civilizando-a. O conflito deu se entre Estados Unidos e México, entre 1846 e 1848 e teve enormes consequências para o futuro das nações envolvidas. Com a intervenção, os Estados Unidos ampliaram o seu território em cerca de um quarto, enquanto o México perdeu aproximadamente metade do seu.

maxresdefault

Entre os motivos que levaram os Estados Unidos a criar o conflito militar foram a pressão migratória, necessidade de novos territórios e as potenciais riquezas da Califórnia. Essa foi a guerra em que, pela primeira vez, uma força inimiga ocupava a capital do México.

Em 1845, com a chegada de James K. Polk  à presidência dos Estados Unidos, as ideias do Destino Manifesto haviam criado raízes na cultura do país, e o novo ocupante da Casa Branca tinha uma firme crença na ideia de expansão. Essa crença ganhou força à medida que os EUA se estabeleciam em terras do oeste. Embora a maior parte dessas áreas já tivessem proprietários, os descendentes dos colonizadores ingleses, com os seus ideais e ética cristã protestante, acreditavam que fariam um trabalho melhor do que os povos nativos da América ou os mexicanos católicos na colonização das regiões. O “destino manifesto” não significou necessariamente expansão violenta. Nos anos 1835 e 1845, os Estados Unidos ofereceram se para comprar a Califórnia ao México, por valores de 5 milhões e 25 milhões de dólares, respectivamente. Na ocasião, o México recusou a oferta, que representaria a venda de cerca de metade de seu território.

Mexican_Cession_in_Mexican_View

A segunda causa básica da guerra foi a Guerra da Independência do Texas e a anexação posterior dessa área pelos Estados Unidos. O México não reconheceu a anexação e reivindicou a região, alegando que o Texas era um Estado mexicano rebelde. Mas apesar da forte pressão da opinião pública do México para guerra, de início não houve resistência armada à anexação. A guerra só começaria com a tentativa dos Estados Unidos de expandir as fronteiras do território anexado para além dos limites do antigo Departamento de Tejas mexicano.

A disputa política transformou-se num conflito militar aberto quando um destacamento do Exército dos Estados Unidos, sob comando de  Zachary Taylor invadiu o território ao sul do rio Nueces. Embora essa área não fizesse parte de Texas quando ainda era o Departamento de Tejas, parte do estado Mexicano de Coahuila y Tejas, os Estados Unidos reivindicavam essa terra para si. A pretensão baseava-se no tratado de Velasco, assinado por António Lopez de Santa Anna em 1836, em que concordava em recuar as tropas mexicanas para além do Rio Grande cerca de 240 km ao sul de Nueces. O entendimento dos Estados Unidos era que esse recuo estabelecia a nova fronteira do estado que se tornara de facto independente. O México não partilhava dessa leitura e não reconhecia a validade do tratado que fora firmado por Santa Anna enquanto prisioneiro dos Texanos e que o congresso mexicano se recusara a ratificar, negando que o signatário tivesse poderes para tal acordo. Seguiu-se uma série de escaramuças que finalmente transformaram-se em guerra em plena escala.

770d26f81a512c1ee7420049ccc6119c