1ª Vacina contra a raiva

4 de Maio 1886

Desde a antiguidade a raiva era temida pela sua forma de transmissão, quadro clínico e a sua evolução. Acreditavam os antigos que era causada por motivos sobrenaturais, pois cães e lobos pareciam estar possuídos por entidades malignas. É a doença de registo mais antigo.

raiva-animal-2

A situação da raiva na Europa, no século XIX, era ainda de manutenção das práticas mais antigas e primitivas. Numa das suas lembranças infantis, Pasteur registou o pânico ocorrido (passado em Outubro de 1831) quando um lobo raivoso atacou homens e animais que cruzaram o seu caminho. Pasteur registou o caso de um rapaz então ferido, chamado Nicole, que fora cauterizado num ferreiro próximo à casa paterna. Oito pessoas da região, mordidas nas mãos ou nas cabeças, sucumbiram após horrível sofrimento — mas Nicole sobrevivera. A lembrança do ataque pelo lobo enlouquecido permaneceu por muitos anos .

{20131016234548}_robert_thom,_french_chemist_and_microbiologist_louis_pasteur_working_in_his_chemical_laboratory,_1955

Na sua cidade natal, Arbois, havia a história do “Traseiro sem raiva”, bastante popular, onde um valentão chamado Gavignon gabava-se de nada temer e, enfrentando um enorme cão, acaba por refugiar-se numa árvore, quando foi atacado “na parte mais carnosa do corpo”. O animal foi abatido por um caçador mas, apesar nada ter sofrido, o fanfarrão ainda assim postou-se de cama por vários dias, acreditando estar raivoso, recebendo o apelido que dá nome à fábula. Também essa história deve ter ouvido Pasteur, na sua juventude.

A primeira vacina contra a raiva deve-se ao célebre microbiologista francês Louis Pasteur, que a desenvolveu em 1886.

A vacinação de cães e o tratamento preventivo em humanos são as duas principais formas de controle da raiva.

Diversas formas de vacina foram desenvolvidas e são produzidas, atualmente,algumas delas destinadas a uso exclusivo veterinário; todas dependem de adequada conservação para sua eficácia, bem como a depender da espécie a ser imunizada o período de proteção pode variar — como no caso dos bovinos, que são protegidos por apenas 30-45 dias, bastante ampliado se houver uma aplicação de dose de reforço.

vacina