“ O Oficio de Viver “ – Livro de Cesare Pavese

2 de Março 1950

Quando lhe foi encerrada a revista em que trabalhava como seu director, Pavese foi desterrado no sul da Calábria (1935-36), onde começou a escrever O Ofício de Viver, diário pessoal que acompanha os últimos quinze anos da sua vida.

475-1

Nas páginas do seu diário, todo ele escrito na primeira pessoa, afloram tensões obscuras centradas na dificuldade das relações entre os sexos que explodem numa tragédia final, transmitindo um sentido desolado de inutilidade da vida.
Nas suas páginas encontramos considerações sobre a sua poesia, leituras críticas de outros escritores, lado a lado com desabafos e lamentos inflamados sobre a sua vida pessoal e suas desilusões amorosas, acompanhados de reflexões sobre a morte, intimamente associado à ideia de suicídio.

cesare-pavese-santo-stefano-belbo

Dado como encerrado pelo autor cerca de uma semana antes da morte, e por ele próprio assinalados pelos limites cronológicos 1935-1950, constitui, assim, a evidência da trágica decisão consciente e antecipadamente tomada, e que vem ganhando corpo ao longo dos anos, de pôr termo à vida. No diário não há descrições nem alusões ao lugar em que se encontra. O que se acentua nas suas páginas é o clima de solidão. É a sua vida interior e a imagem da sua profunda angústia de viver.
Sobre as mulheres, que são a fonte directa de seu sofrimento, nada revela, nenhum retrato faz delas. São impessoais, despidas de sentimentos e movidas apenas por interesses, quase desumanizadas.

3_hd_cesare_pavese