1805 – Nascia o Politico Passos Manuel

5 de Janeiro 1805

Manuel da Silva Passos nasceu no lugar de Guifões no julgado de Bouças, a 5 de Janeiro de 1805.

Em Outubro de 1817 inscreveu-se na faculdade de Cânones em Coimbra. Juntamente com o seu irmão José publicou, em 1823, o jornal “O Amigo do Povo”, que defendeu os ideais liberais. Com o retorno do absolutismo, os irmãos Passos foram expulsos da universidade, por se terem oposto ao reestabelecimento dos inauferíveis direitos de D. João VI.

Em 1826, Manuel saúda a Carta Constitucional e o General Saldanha defendê-los-á durante a emigração. Em 1828 acompanha retirada liberal para a Galiza e finalmente para Plymouth. Assiste à Revolução de Julho em Paris e é a partir de então que os dois irmãos escrevem uma série de folhetos sobre a situação portuguesa, sobre as reformas a fazer e sobre a necessidade de uma expedição para libertar o Pais. Opõe-se à regência de D. Pedro IV e defende o coronel Pizarro.

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Em Agosto de 1832 deixa o França e vem combater no cerco do Porto. Eleito deputado em 1834, volta a opor-se à regência de D. Pedro, assumindo um papel notável como orador da oposição parlamentar, de que se tornou um dos chefes. Nessa qualidade propõe uma lei de indemnizações aos vencedores que se traduziria pelo pagamento dos prejuízos pelo Estado. Opõe-se a que a violência se exerça sobre os vencidos e a que sejam estes a pagar as indemnizações. Torna-se chefe da Maçonaria do Norte.

No ano de 1835 afasta-se dos membros mais radicais do parlamento, dando-lhes o cognome de irracionais e defendendo a exclusiva utilização dos meios legais de luta política. Apesar destas posições é nomeado Ministro do Reino após o movimento dos guardas nacionais, em Setembro de 1836.

Nomeado também ministro da Fazenda, depois da Belenzada, empreendeu um conjunto de reformas de que a reforma da Instrução Pública e o Código Administrativo são os elementos mais notáveis. Como Ministro da Fazenda promulgou as pautas proteccionistas de 1837.

Ajudado por seu irmão, então Secretario de Estado da Fazenda, prefere demitir-se quando os deputados põem em causa existência do cargo A 1 de Junho de 1837 deixa o ministério com a sua frágil saúde em muito mau estado.

Casa-se em 1838, tornando-se então agricultor da zona de Santarém, onde em 1841 adquire casa na Alcáçova de Santarém. A sua situação permite-lhe tornar-se senador.

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Opositor ao cabralismo é um dos artesãos da unificação das oposições, fazendo em 1845, uma campanha eleitoral de cariz moderno, com comícios e deslocações do candidato que se dirigia directamente aos eleitores. Eleito, renuncia ao cargo de deputado como protesto face às violências governamentais que acompanharam as eleições.

Em 1846, durante a Maria da Fonte, tem um papel muito importante como presidente da junta de Santarém e da Estremadura, negociando com o duque de Palmela o desarmamento das colunas populares que se dirigiam a Lisboa.

O convénio que o Governo aceitou a 3 de Junho, foi difícil de cumprir e veio a exigir uma mudança governamental.

O golpe de 6 de Outubro, frustrou as esperanças de pacificação constitucional e teve como resposta a insurreição do Porto. Manuel Passos deslocou-se para esta cidade, a 24 de Novembro de 1846, sendo conselheiro do irmão que presidiu à Junta durante a Patuleia.

A Regeneração trá-lo de volta ao parlamento, onde apoia o Acto Adicional, sem se tornar regenerador. Após 1853 o seu protagonismo diminui devido à sua periclitante saúde. Tem ainda um papel relevante na queda do ministério regenerador em 1856, altura em que se recusa a entrar para o Governo.

Em 1857, intervém contra o acordo com a Santa Sé, referente ao Padroado do Oriente, defendendo a independência da igreja lusitana. A desilusão, que a acção dos seus amigos políticos lhe provoca, é sensível nomeadamente em matéria religiosa e eleitoral.

A 17 de Abril de 1861, os progressistas mostram o respeito em que o continuam a ter, nomeando a filha mais velha, Beatriz, viscondessa de Passos. A 19 de Maio, era nomeado Par do Reino, lugar que não chegou a exercer. Morre em Santarém a 17 de Janeiro de 1862.