1759 – O Processo dos Távoras

14 de Dezembro 1759

Casa de Távora foi uma das mais ilustres Casas nobiliárquicas portuguesas. O apelido Távora, utilizado pelos membros desta família, deriva do Rio Távora, em Trás-os-Montes, um afluente do Rio Douro, ou de uma vila ribeirinha com o mesmo nome.

A família dos Távoras tem origens antiquíssimas, que alguns estudos genealógicos fazem remontar a um dos filhos de Ramiro II, Rei de Leão. O primeiro Senhor de Távora é Rozendo Hermingues,um nobre hispânico que viveu algures nos finais do século XI, princípios do século XII. O senhorio do morgado de Távora permanece na linha varonil desta casa.

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Processo dos Távoras refere-se a um escândalo político português do Século XVIII. Os acontecimentos foram desencadeados pela tentativa de assassinato do Rei D. José I em 1758, e culminaram na execução pública de toda a família Távora e dos seus parentes próximos em 1759.
Alguns historiadores interpretam (mal) o assunto como uma tentativa do primeiro-ministro Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês do Pombal) de limitar os poderes crescentes de famílias da alta nobreza.

No seguimento do terramoto de Lisboa de 1 de Novembro de 1755, que destruiu o palácio real, o rei D. José I vivia num grande complexo de tendas e barracas instaladas na Ajuda, às saídas da cidade. Este era o presente centro da vida política e social portuguesa.

José I era casado com Mariana Vitoria de Borbón, princesa espanhola, e tinha 4 filhas. Apesar de ter uma vida familiar alegre, (o rei adorava as filhas e apreciava brincar com elas e levá-las em passeio), D. José I tinha uma amante: Teresa Leonor, mulher de Luís Bernardo, herdeiro da família de Távora.
A rainha sabia da aventura do marido, e mais que uma vez fez comentários muito ofensivos para os Távoras,devidos ao comportamento de Teresa Leonor.

José I seguia sem escolta numa carruagem que percorria uma rua secundária nos arredores de Lisboa. O rei regressava para as tendas da Ajuda de uma noite com a amante D. Teresa Leonor casada com o herdeiro da Casa de Távora, D. Luís Bernardo. Pelo caminho, no local onde hoje se encontra a Igreja da Memória, – mandada construir nesse sítio por D. José I, para agradecer a Deus de o ter salvo do atentado, a carruagem foi interceptada por três homens, que dispararam sobre os ocupantes.

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José I foi ferido num braço e nas costas, o seu condutor também ficou ferido gravemente, havia outro grupo preparado para terminar o assalto à carruagem no caminho da Ajuda, mas o rei em vez de seguir na direcção das tendas, mandou o cocheiro seguir para Belém, para casa do seu cirurgião, ou talvez para casa do Conde de Angeja. Regressou depois à Ajuda mas escoltado por uma força militar de dragões.

Sebastião de Melo tomou o controle imediato da situação. Mantendo em segredo o ataque e os ferimentos do rei, ele efectuou julgamento rápido. Poucos dias depois, dois homens foram presos e torturados. Os homens confessaram a culpa e que tinham tido ordens da família dos Távoras, que estavam a conspirar pôr o duque de Aveiro, José Mascarenhas, no trono. Ambos foram enforcados no dia seguinte, mesmo antes da tentativa de regicídio ter sido tornada pública.
Nas semanas que se seguem, a marquesa Leonor de Távora, o seu marido, o conde de Alvor, todos os seus filhos, filhas e netos foram encarcerados. Os conspiradores, o duque de Aveiro e os genros dos Távoras, o marquês de Alorna e o conde de Atouguia foram presos com as suas famílias. Gabriel Malagrida, o jesuíta confessor de Leonor de Távora foi igualmente preso.

Foram todos acusados de alta traição e de regicídio.

A sentença ordenou a execução de todos, incluindo mulheres e crianças. Apenas as intervenções da Rainha Mariana e de Maria Francisca, a herdeira do trono, salvaram a maioria deles. A marquesa, porém, não seria poupada. Ela e outros acusados que tinham sido sentenciados à morte foram torturados e executados publicamente em 13 de Janeiro de 1759 num descampado perto de Lisboa.