1805 – Batalha de Austerlitz

2 de Dezembro 1805

Obra-prima de estratégia militar, a Batalha de Austerlitz, também conhecida como a ”Dos Três Imperadores” (Napoleão, Alexandre I da Rússia e Francisco II da Áustria), tornou-se a mais célebre das vitórias napoleónicas. Temendo um desembarque sobre suas costas quando o exército francês se concentrava em Boulogne, a Inglaterra conseguiu formar no continente uma nova aliança contra a França.

bogdan-willewald-a-guarda-do-czar-captura-o-estandarte-do-4c2ba-regimento-francc3aas-na-batalha-de-austerlitz-em-1805-1884

O exército francês acorreu à Bavária, cercou em Ulm as tropas austríacas que capitularam em 20 de outubro de 1805 e esmagou os russos de Kutuzov em Austerlitz em 2 de Dezembro, dia do primeiro aniversário da sagração de Napoleão. Debaixo de um frio glacial, assim que o sol se levantou, as tropas aliadas atacaram os franceses sobre a frente de Pratzen antes de serem repelidos para os reservatórios gelados de Satschan, onde muitos se afogaram.

No final de Novembro de 1805, Napoleão só dispunha de 50 mil homens diante dos 80 mil dos aliados. Avaliando mal a situação, os generais austríacos, assim como os conselheiros do czar, convenceram se que os franceses, nas condições de inferioridade numérica, iriam retirar-se para Viena. Para impedir a acção, em vez de enfrentá-los abertamente, envolvem se em vastas manobras destinadas a cortar a linha desta suposta retirada. A 30 de Novembro, Napoleão percorre a região a cavalo e depara-se com Pratzen. Antes de ocupá-lo para se opor frontalmente aos seus inimigos, contentou-se em colocar um destacamento de cavalaria esperando levar o inimigo a estender excessivamente seu flanco esquerdo.

battle_of_austerlitz_situation_at_1800_1_december_1805

O plano de Napoleão era irrevogável. Para aliviar Soult, que iria suportar o peso do ataque inimigo, apoiaria com a sua guarda e a reserva de granadeiros, o ataque de Bernadotte a Blasowitz, onde a direita inimiga desembocaria na rota para Austerlitz. Contaria em seguida voltar-se contra a ala esquerda russa, mudando de frente, e cortar, desse modo, esta ala da rota de Olmutz, além do que avançaria sobre Telnitz. Napoleão estava seguro de si e das suas ordens emanadas na véspera da batalha em relação às manobras que lhe dariam a vitória. Na noite de 1º de dezembro, enquanto instalava o seu quartel-general em Horka, percorreu a linha das suas tropas à luz de archotes espontaneamente acesos pelos soldados transbordantes de entusiasmo.

Os russos do general Ignacy Pribichefski rendem se. As tropas de Buxhowden, após ter perdido horas em escaramuças inúteis em torno de Telnitz, são obrigados a recuar em direção a Aujest, na esperança de escapar do beco sem saída em que estava metido. Põem-se em marcha entre lagos e colinas. O ataque do general René Vandamme a Aujest surpreende a coluna russa quando chegava ao local. Os dois batalhões da vanguarda seguiram em frente, porém os 28 batalhões restantes ficaram bloqueados pelos franceses que ocupavam as alturas. A frente da coluna, com a artilharia e as tropas que a escoltavam, tenta fugir atravessando o lago gelado. Contudo, o gelo, fragilizado pelo fogo da artilharia francesa, cede sob seus pés e engole homens e canhões. Malgrado, as terríveis baixas conseguem chegar a Satschann, antes de tomar o caminho de Czeitsch passando pelas montanhas, apesar de vivamente perseguidos. Na retirada, levada a efeito sob impraticáveis condições devido à chuva e ao gelo, tiveram de abandonar o que lhes restava de artilharia.

napoleaobatalha

Derrotados por todos os lados, aos austro-russos só restava tomar a direcção da Hungria. Ainda assim marcharam sob a ameaça do restante do exército francês que não deixava de persegui-los.

No estado de total desorganização em que se encontrava seu exército, o imperador da Áustria não teve outra escolha senão capitular. O príncipe Jean de Liechtenstein é recebido por Napoleão no bivaque de Stara Posta.

A partir de 4 de Dezembro de 1805, Napoleão e Francisco II se reúnem em Spaleny Mlyn, ao sul de Austerlitz. Ali, à sombra de uma árvore, acordam um armistício. Em 26 de dezembro, a Áustria assina, no Palácio de Bratislava, o Tratado de Presbourg, que diminui suas possessões e lhe impõe pesadas indemnizações.

A única batalha em que Napoleão pôde escolher o terreno, conduzir o inimigo e lhe impor seu plano de combate, a batalha de Austerlitz é considerada como sua obra-prima em táctica de guerra.