1977 – Voo Tap 425 despenha se no Aeroporto do Funchal

19 de Novembro 1977

Ostentava o nome do pioneiro da aviação portuguesa, Sacadura Cabral, curiosamente falecido num acidente aéreo no canal da Mancha, a aeronave, com 164 pessoas a bordo, que às 21.48 do dia 19 Novembro de 1977 se despenhou no Aeroporto de Santa Catarina, na Madeira.

0795844

O voo TP425 fazia-se à pista sob chuva intensa. Devido às condições meteorológicas adversas e de duas tentativas de aterragem falhadas, o comandante sabia que tinha uma última oportunidade, caso contrário o voo teria de ser desviado para Las Palmas (Espanha). Essa última oportunidade revelou-se fatal. O avião aterrou muito para lá do normal na curta pista do aeroporto, deslizou pelas águas acumuladas e saiu da pista.

Com o impacto o avião partiu-se em dois, com parte da aeronave a ficar em cima de uma ponte e a outra a cair sobre a praia a mais de 130 metros e a ser consumida pelas chamas. Morreram 131 pessoas, sobreviveram 33. As urnas funerárias existentes na ilha não chegaram para os cadáveres, alinhados, nas rochas, e depois, no edifício do aeroporto, cobertos com mantas e lençóis, à espera das urnas enviadas do continente.

imagem-77

No dia seguinte a cauda do avião foi pintada, ocultando assim o logótipo da companhia para evitar que o acidente desse origem a má imagem da TAP. O relatório do acidente apontou como causa provável do acidente as condições meteorológicas “muito desfavoráveis”, com possível hidroplanagem e uma aproximação demasiado longa, facto de que a TAP discordou. Num relatório interno a companhia aérea culpou as “acumulações de borracha” na pista, que não permitiam o escoamento das chuvas. Mas muitos apontaram falha humana às possíveis causas. A tripulação do TP425 fazia o quinto voo do dia, o terceiro seguido sob o comando de João Costa, que saiu de Lisboa rumo a Bruxelas, regressou à capital e seguiu para o Funchal.

000-aeroporto-da-madeira

A TAP assegurou os tratamentos médicos aos 33 sobreviventes e pagou indemnizações entre os 125 e 1200 contos (650 a 6000 mil euros), mas quem recusou só em 2006 viu o processo em tribunal resolvido. E segundo o relatório e contas (1978), a transportadora ganhou 193,4 mil contos (96 mil euros) com o acidente, entre indemnização da seguradora e o valor do avião.

Em consequência do acidente a empresa avançou para a ampliação da pista – ainda hoje considerada uma das mais difíceis para aterrar a nível mundial – de 1600 para os 2781 metros atuais, e deixou de voar com a versão 200 do Boeing 727 para o Funchal, passando a voar com a versão 100, cinco metros mais curto.