A História do Chocolate

13 de Novembro 1519

Um dos mais divinos prazeres actuais, o chocolate, tem as suas raízes há mais de três séculos.

O povo Olmeca, que constituiu uma das primeiras civilizações meso americanas e que vivia nas regiões tropicais do centro-sul do actual México, foi o responsável pelo início do cultivo da planta que mais tarde deu origem ao chocolate.

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Bem mais tarde, cerca do século IV, a civilização Olmeca já não existia e na mesma região estava instalada a civilização Maia. O clima húmido servia na perfeição para a plantação e desenvolvimento da planta “cacahuaquchtl” (assim baptizada pelos Maias).

Na sociedade Maia existia a crença de que aquela planta pertencia aos deuses e que os seus frutos eram uma dádiva ao homem.

A importância dos seus frutos era tão grande que chegou a ser moeda de troca. Nessa época não se usava o cacau para fazer chocolate pois não existia esse conceito. Mas foram os Maias o primeiro povo  a criar uma bebida derivada do cacau. Basicamente era uma bebida fermentada, feita com as sementes do cacau que eram torradas, moídas e misturadas com pimenta. Apesar de ser bastante amarga, esta bebida era muito apreciada por réis e nobres, que a bebiam em celebrações importantes.

Com o desaparecimento do império Maia, cerca do ano de 900 d.C., surgiram dois povos que se estabeleceram naquela região, primeiro os Toltecas e mais tarde os Astecas. Ambos os povos tiveram fortes ligações com a planta cacahuaquchtl.

O rei dos Toltecas, Quetzalcoatl, era conhecido como o Deus do ar, que tinha a missão de trazer do Éden para o Homem as sementes da planta do cacau.

No caso dos Astecas o cacau servia como uma fonte de energia e de sabedoria espiritual. Por isso era dado aos guerreiros para lhes dar força nas expedições militares.

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Relativamente à chegada do cacau à Europa, sabe-se que foi Cristóvão Colombo que o trouxe, por alturas da sua quarta viagem ao Novo Mundo, lá para o ano de 1502. Mas as sementes de cacau que foram oferecidas ao rei Fernando II ficaram despercebidas no meio do fausto das outras riquezas.

Por isso, só em 1519 é que se redescobriu o cacau, através das conquistas no México levadas a cabo por Hernando Cortez. Nessas expedições, este conquistador espanhol experimentou pela primeira vez o “Cacahuatt”, uma bebida que era muito apreciada pelo último rei Asteca, Montezuma II.

Com o passar dos anos, os espanhóis juntaram adoçantes à bebida original e tornaram-a bem mais agradável ao gosto Europeu. Desta forma o cacau quente começou progressivamente a conquistar a elite espanhola. Para facilitar o transporte e a confecção da bebida, os espanhóis passaram a aglomerar o cacau em tabletes.

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Durante os 150 anos seguintes, a novidade do cacau foi-se disseminando por toda a Europa. Por esta altura ainda eram adicionados vários ingredientes ao cacau liquido, tais como: leite, vinho, cerveja, açúcar e especiarias diversas.

Em meados do século XVII a bebida de cacau ganhou crescente popularidade em França, muito devido ao facto da esposa do rei Luiz XIII, a rainha Anne, ter declarado essa bebida como sendo “a bebida da corte francesa”.

Esta popularidade fez com um francês abrisse a primeira loja do ramo na cidade de Londres, a que se seguiram muitas outras, de tal modo que no século XVIII as casas de cacau eram tão famosas como as cafeterias.

Em 1795, na Inglaterra, começou-se a utilizar uma máquina a vapor que esmagava as sementes de cacau com pouco esforço e em muito maior quantidade. Esta inovação tecnológica permitiu o fabrico de tabletes de cacau em muito maior escala.

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Mas foi preciso aguardar mais de 30 anos para se dar a verdadeira revolução da indústria do cacau e que permitiu a criação do chocolate praticamente como hoje o conhecemos.

E essa revolução veio da Holanda. Em 1828, Conrad Van Houten, um químico holandês inventou uma prensa hidráulica que, pela primeira vez, conseguia extrair para um lado a manteiga de cacau e para o outro a massa de cacau, ou a “torta”. Este processo teve logo o condão de reduzir o sabor amargo e a acidez do produto final.

A massa de cacau era depois pulverizada até se transformar em pó de cacau. Depois juntavam-se sais alcalinos a este pó de cacau, que permitia que fosse facilmente dissolvido em água.

Em 1876 o suíço Daniel Peter tentou, durante 8 anos, adicionar leite ao chocolate mas sem conseguir chegar a um resultado satisfatório. Já quase a desistir, resolveu apresentar o seu problema a Henry Nestlé, um fabricante de leite evaporado. Por essa altura, Henry Nestlé tinha acabado de melhorar a sua produção de leite condensado. Foi quando decidiram adicionar leite condensado ao chocolate. A mistura resultou em pleno e nasceu assim o chocolate de leite.

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Anos mais tarde, mais precisamente em em 1879, Rodolphe Lindt, um inventor e fabricante de chocolate suíço, criou o processo de conchagem, que nada mais era que um aparelho em formato de concha, dentro do qual estavam dois cilindros de granito que moíam a massa de chocolate, movimentando-se para a frente e para trás num processo contínuo que podia durar até sete dias consecutivos. O resultado deste processo era um chocolate com uma textura muito macia e aveludada. Era também durante este processo que Lindt adicionava a manteiga de cacau. Assim, com a moagem constante, a massa de cacau e a manteiga de cacau transformavam-se num “líquido” espesso e muito cremoso, ganhando todo o sabor e aroma que caracteriza o chocolate de qualidade.

Esta abordagem inovadora de Lindt, criou um chocolate muito mais refinado, que derretia na boca e que era igual ao chocolate que conhecemos hoje em dia.

Actualmente, a indústria do chocolate movimenta uma economia global de cerca de 60 biliões de dólares por ano. Mas os produtores de cacau apenas recebem pouco mais de 3% desse valor.