Em 1973 era inaugurada a Sydney Opera House – Austrália

20 de Outubro 1973

Além da beleza incontestável, a Sydney Opera House tem uma história que mais se parece uma tragédia grega.

No fim de 1954 ,JJ Hon (Joe) Cahill, Premier de New South Wales convoca uma conferência para discutir o estabelecimento de uma casa de ópera em Sydney. Em maio de 1955 o governo anuncia que o edifício será construído em NSW Bennelong Point. No segundo mês de 1956 um programa e as directrizes para uma competição internacional para uma casa de ópera nacional em Sydney são lançados.

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Na desconhecida Hellenbaek (Dinamarca) o não menos obscuro Jørn Utzon, arquitecto de 38 anos de idade concebe o seu design e inscreve se no concurso no fim do mesmo ano enviando 12 desenhos para Sydney. Em Dezembro as inscrições são encerradas com 233 inscritos de todo o mundo. O inscrito número 218 foi o escolhido por um júri de quatro experts. Reza a lenda que Eero Saarinen chegou atrasado para o julgamento e recuperou os desenhos de Utzon que já haviam sido retirados pelos outros jurados. Entrevistado na conclusão do julgamento, mas antes do anúncio do vencedor, Leslie Martin deu a entender quem seria : “Nós olhamos para uma obra monumental … o projeto da casa de ópera tinha que ser algo muito criativo.”

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O projecto foi inicialmente orçado em 3,5 milhões de libras esterlinas. Jørn Utzon sabe da decisão dos juízes pelo seu filho que corre pela floresta até a estação ferroviária para encontrá-lo quando ele estava a chegar a casa do trabalho.

Entre 1957 e 1959 Utzon viaja para Sydney já que ele havia projetado a Sydney Opera House sem realmente ver o local pessoalmente. Utzon apresenta o seu relatório da Sydney National Opera House, conhecido como o “Livro Vermelho”. Este relatório mostra que o projecto original do telhado de forma livre é estruturalmente irrealizável.

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Em novembro de 1960 Paul Robeson canta para os trabalhadores no local como o primeiro concerto não oficial. Em janeiro de 1962 Utzon apresenta “Livro Amarelo” que contém 38 páginas de planos, cortes e alçados apresentados por ele e consultores. Ele inclui planos dos salões, as conchas do grande salão, detalhes de uma tampa pré-moldada e a cobertura do telhado em conchas. A capa do “Livro Amarelo” mostra os princípios da geometria esférica determinada no final de 1961: a “Solução Esférica”, que foi aprovada para construção em 1962. Dois meses depois surge uma nova “Solução Esférica” diferente. Durante os próximos cinco anos Utzon, em conjunto com Arup, desenvolve diferentes soluções para um telhado que na prática não se sustentava.

O desenvolvimento do projecto do telhado foi um processo difícil e demorado e como acontece com grande parte do trabalho Sydney Opera House exigiu o máximo das habilidades dos envolvidos e forçou a tecnologia da época ao limite. Em Fevereiro de 1963 o pódio está construído.

A fase 2 começa logo após o término do pódio. O telhado em forma de concha era algo inimaginável para época. Os enormes desafios na construção exigiram aplicações pioneiras e muitos materiais e práticas de construção e engenharia inovadoras. Utzon queria que as conchas do tecto contrastassem com o profundo azul do céu australiano como nuvens ou velas na água. Para alcançar este efeito as peças precisariam ser polidas, mas não reflectoras como espelho. Utzon encontrou exactamente o que queria no Japão, tigelas de cerâmica. Três anos de trabalho pela Höganäs da Suécia produziu o efeito Utzon queria no que ficou conhecido como a telha de Sydney, 120 milímetros quadrados, feita de barro com uma pequena percentagem de brita. As telhas são auto limpáveis e estão sempre brancas, resultado das chuvas que as lavam e do ângulo de inclinação que não deixa poeira depositada. No total existem 1.056.006 telhas.

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