Em 1922 nascia a escritora Agustina Bessa Luís

15 de Outubro 1922

Segunda e ultimo génita filha do empresário Artur Teixeira de Bessa (1882-1924), antigo emigrante no Brasil e gerente do Casino da Póvoa, oriundo de uma família de raízes rurais de Entre  Douro e Minho; e de Laura Jurado Ferreira (1899-?), cuja mãe, Lorenza Agustina Jurado Franco, era espanhola, nascida em Zamora.

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Casou-se em 1945 com Alberto Luis ,teve uma filha Amélia Bessa-Luis.

Desde muito jovem que Agustina se interessou por livros, começando por ler alguns da biblioteca do avô materno, Lourenço Guedes Ferreira. Foi através destas primeiras leituras que tomou contacto com alguns dos melhores escritores franceses e ingleses, os quais lhe despertaram o amor pela literatura.

Em 1932 vai para o Porto estudar, onde passa parte da adolescência, mudando-se para Coimbra em 1945, e, a partir de 1950 fixa definitivamente a sua residência no Porto.

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Estreou-se como romancista em 1948, ao publicar a novela  Mundo Fechado, mas seria o romance A Sibila, publicado em 1954 que constituiu um enorme sucesso e lhe trouxe imediato reconhecimento geral. E é com A Sibila que Bessa-Luís atinge a total maturidade do seu originalíssimo processo criador.

É também conhecido o seu interesse pela vida e obra de um dos grandes expoentes da escola romântica, Camilo Castelo- Branco, cuja herança se faz sentir quer a nível temático (inúmeras obras de Agustina se relacionam com a sociedade de Entre Douro e Minho), quer a nível da técnica narrativa (explorou ficcionalmente a própria vida de Camilo). Essa filiação associa Agustina à corrente neo romantica.

Foi distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada , a 9 de Abril de 1981, tendo sido elevada ao grau de Grã-Cruz da mesma ordem em 26 de Janeiro de 2006.

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Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manoel de Oliveira, de quem era amiga e com quem tem trabalhou e colaborou de perto. É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, (Tetaro Nacional D. Maria II, 1995).

A sua criação é extremamente fértil e variada. A autora escreveu até o momento mais de cinquenta obras, entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis. Foi traduzida em mais de 6 linguas e o seu livro-emblema, A Sibila, já atingiu a vigésima quinta edição.

Em 2004, aos 81 anos, recebeu o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões.

Em 2005 foi-lhe atribuído o título Doctor Honoris Causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Desde Julho de 2006, pouco depois de terminar a sua última obra, A Ronda da Noite, que Agustina Bessa-Luís deixou de escrever e se retirou da vida pública, devido a razões de saúde.

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