O Vibrador é inventado pelo Dr. George Taylor

20 de Setembro 1869

Num mundo onde o desejo sexual das mulheres era tratado como doença, o vibrador foi apresentado como a cura. Parece mentira, mas não é necessário recuar muito no tempo: o vibrador foi inventado em 1869 para ajudar no tratamento de sintomas atribuídos a uma doença conhecida como “histeria”. Demorou até que o orgasmo feminino fosse aceite, a psiquiatria abolisse conceitos antigos e o acessório ocupasse um espaço na gaveta de mulheres completamente saudáveis.

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Nas primeiras décadas do século IXX, mulheres que apresentavam sintomas de irritabilidade, insónia, ansiedade, dores de cabeça, choro e falta de apetite, entre outros, eram diagnosticadas com “histeria”, uma doença psíquica tida como exclusivamente feminina. O problema, acreditava-se, era causado por perturbações no útero. “Na medicina hipocrática, ao contrário do Egipto antigo, um desejo activo feminino por sexo e seus sintomas – inclusive excitação, fantasias eróticas, lubrificação vaginal e comportamento em geral melancólico ou irracional – eram associados a uma doença causada por um deslocamento do útero”, esclarece o jornalista Jonathan Margolis no seu livro O: The Intimate History of the Orgasm .

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Assim, para aliviar a “histeria”, o tratamento recomendado era a massagem no clitóris, feita directamente pelo médico, em consultório. Com as mãos, o médico estimulava a paciente até que ela atingisse o “paroxismo histérico”, conhecido hoje como orgasmo. Depois de uma sessão de gemidos e gritos, a mulher ficava mais calma, e os sintomas desapareciam – pelo menos por um tempo.

Esse mesmo tratamento já havia sido indicado muito antes, em 1653, pelo médico holandês Pieter Van Foreest, quando publicou um compêndio médico com um capítulo sobre doenças femininas. Para a histeria, Foreest aconselhava o auxílio de uma parteira para realizar a massagem, com um dedo dentro da vagina, usando óleo de lírios como lubrificante.

Com ou sem marido, as mulheres passaram a encher os consultórios médicos em busca da “cura” para a histeria. E os médicos passavam horas masturbando as suas pacientes, preocupados com a sua saúde. Para além da falta de conhecimento, o orgasmo feminino não era reconhecido devido ao machismo de não conceber a mulher como um ser capaz de expressar os seus desejos e satisfações sexuais. “A sexualidade feminina sempre sofreu com a repressão, nesta época principalmente, em que o órgão sexual na mulher era puramente para procriação.

Mas a massagem clitoriana era uma tarefa “maçadora” e muitas pacientes demoravam horas para atingirem o tal “paroxismo histérico”. Com isso, os médicos começaram a ter problemas nas mãos devido ao esforço repetitivo, e novas alternativas passaram a ser testadas. A primeira delas foi um jacto de água directamente no clitóris. Como o método não rendeu bons resultados, um acessório diferente foi inventado.

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O médico americano George Taylor patenteou, em 1869, o primeiro vibrador, a vapor, ao qual deu o nome de”The manipulator”. Embora fosse um aparelho grande e de aparência assustadora, levava as mulheres ao orgasmo mais rapidamente, permitindo aos médicos descansar as mãos e atender mais pacientes.

O vapor não durou muito. Em 1880, o médico inglês Joseph Mortimer Granville inventou o vibrador movido à manivela. Aperfeiçoada, a ideia materializou se em 1902 no primeiro vibrador elétrico, lançado pela empresa americana Hamilton Beach.

Nessa época, os vibradores deixaram de ser usados apenas nos consultórios médicos, e as mulheres passaram a tratar a “histeria” em casa. Ainda assim, o conceito de que aqueles sintomas caracterizassem uma doença só foi abolido pela Associação Americana de Psiquiatria em 1952.