Em 1818 o Chile torna se Independente

18 de Setembro 1818

Semelhante ao que  ocorreu em outras colónias de Espanha na América ,  o processo de independência do Chile foi marcado por inúmeros conflitos entre os espanhóis de nascimento (chapetones), que defendiam a submissão à Espanha, e os criollos, elite local que desejava a liberdade.

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No contexto de crise em que as colónias espanholas viviam após a prisão do rei Fernando VII por Napoleão Bonaparte, a notícia da Revolução de Maio (em Buenos Aires) chegou à Capitania do Chile causando alvoroço: de um lado, os criollos(patriotas) se entusiasmaram e passaram a desejar a formação de uma Junta de Governo em Santiago; do outro, os chapetones (realistas), sentindo-se ameaçados procuraram fortalecer se e passaram a perseguir os patriotas.

Nesse momento, o cabildo (assembleia) de Santiago, composto, na sua maioria, por criollos, exigiu que o capitão-geral, Francisco Garcia Carrasco, explicasse a causa das perseguições. Carrasco, que se recusou a dar qualquer explicação, acabou sendo deposto.

Em 18 de Setembro de 1810, o cabildo formou uma Junta de Governo, sob a presidência do criollo Mateo de Toro y Zambrano. Apesar de jurarem fidelidade ao rei Fernando VII, pela primeira vez um criollo se tornava governante do Chile.

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Essa primeira Junta de Governo foi liderada por criollos moderados, que não desejavam a separação da Espanha, o que deixou tanto os realistas quanto os patriotas insatisfeitos: o primeiro grupo não aceitava a própria Junta, e o segundo queria a declaração de independência.

A partir desse momento, golpes de Estado ocorreram – e a guerra civil parecia iminente. Diante dessa instabilidade, a colónia vizinha, o Vice-Reino do Peru, governada por espanhóis, decidiu invadir o Chile, a fim de manter a ordem colonial espanhola.

Em 1813, tropas do Peru desembarcaram em Concepción e receberam o apoio dos chapetones. Em contrapartida, os criollos chilenos organizaram se sob a liderança de  Bernardo O´Higgins.

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O’Higgins era militar e defensor da independência. Na Europa, tinha frequentado os meios intelectuais e políticos de influência liberal.

Nessas primeiras batalhas, as tropas chilenas venceram os peruanos, e o vice-rei do Peru procurou a negociação: retiraria os seus homens do Chile, desde que os chilenos se mantivessem fiéis a Fernando VII. O’Higgins aceitou a proposta (maio de 1814).

Entretanto, a situação política da Espanha mudara: o rei Fernando havia sido libertado e reassumido o trono, decretando que todos os defensores de ideais liberais deveriam ser punidos, tanto na Espanha quanto na América.

Os meios de comunicação da época eram precários e a distância entre Espanha e Chile tornava tudo ainda mais difícil. Quando O’Higgins aceitou o acordo com o Peru, não tinha conhecimento de tais factos.

Em Agosto de 1814, tropas partindo do Peru atacaram novamente o Chile, agora sob ordens directas da coroa espanhola. Dessa vez, O’Higgins foi derrotado e, por isso, obrigado a se exilar em Mendoza (Argentina), juntamente com grande parte dos criollos patriotas.

As tropas espanholas, ao chegarem a Santiago, iniciaram um processo de perseguição violento, que acabou por aumentar a revolta local.

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Enquanto isso, O’Higgins planeava com San Martín (então governador de Mendoza), uma nova estratégia militar para recuperar o Chile e, enfim, proclamar a independência. Juntos formaram o Exército Libertador dos Andes – e em janeiro de 1817 partiram para o confronto.

A estratégia foi ousada: atravessar a Cordilheira dos Andes e dividir o exército (em torno de 5 mil homens) em 6 batalhões que caminhariam em sincronia e atacariam o Chile em pontos diferentes, dificultando a organização das tropas espanholas. Nesse processo, foi essencial a colaboração do líder guerrilheiro chileno Manuel Rodriguez, que, ao mesmo tempo em que desgastava as tropas espanholas no território chileno, passava informações à organização do Exército Libertador.

A 18 de fevereiro de 1817, San Martín e O’Hoggins tomaram Santiago. O’Higgins foi aclamado Ditador Supremo. Exatamente um ano depois, foi proclamada a independência.

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