Em 1923 nascia a escritora Natália Correia

13 de Setembro 1923

A 13 de Setembro de 1923 nascia nos Açores, na ilha de São Miguel, a escritora e mulher que viria a dar um dos maiores contributos para a cultura portuguesa do século XX, Natália Correia. Ainda de tenra idade foi para Lisboa na companhia de sua mãe e  irmã.

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O Liceu Filipa de Lencastre foi o local onde estudou e a Rádio Clube Português foi onde deu início à sua vida profissional como jornalista.

Cedo aqueles que a rodeavam se aperceberam que estavam perante uma mulher com forte personalidade que sabia quais os objectivos que almejava alcançar e que metas cortar. Observando o que os seus conhecidos e amigos  diziam a seu respeito percebe-se que estão de pleno acordo em relação ao seu perfil: diziam e dizem que foi uma mulher de personalidade vincada, que onde quer que estivesse era o centro das atenções. Dominadora, encantadora, provocatória, irreverente, afectiva, lutadora, etc., são alguns dos adjectivos que mais se utilizam para caracterizar esse grande símbolo da cultura portuguesa do século XX.

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Defensora da liberdade e da cultura, desenvolveu uma intensa actividade como escritora, poetisa e ensaísta, também entrou e marcou o mundo da política, lutou contra o fascismo e mais tarde ( já caminhando para o fim da vida) tornou-se deputada pelo PSD e pelo PRD. Nesta fase da sua vida ficou célebre não só pela sua actividade literária, mas sobretudo pelos seus discursos acesos e apaixonados proferidos no Parlamento.

A sua casa, nas décadas de 50 e 60, funcionava como um dos maiores salões particulares onde se reuniam as grandes figuras da cultura portuguesa. Mais precisamente, nos anos 50 a sua moradia, um quinto andar por cima da pastelaria Smart em Lisboa, foi um dos locais conhecidos pela resistência que oferecia ao regime de António de Oliveira Salazar. As reuniões tendiam sempre a criticar e combater o fascismo. É, portanto, nesse contexto que Natália Correia vê alguns dos seus livros apreendidos pela PIDE, por ser reconhecida anti-salazarista e também pelo próprio teor dos referidos livros – como se sabe Natália era audaz e dizia exactamente aquilo que pensava.

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Desde 1972 que O Botequim, que viria a ser um dos centros de conspiração em prol da liberdade, era a animada tertúlia de Natália. Aí discutia-se política, arte, filosofia, literatura, cantava-se, bebia-se, comia-se a altas horas, namorava-se, faziam-se e desfaziam-se casamentos.

A partir de certa altura Natália Correia evoluiu politicamente no sentido do PPD, mas segundo o Dr. Mário Soares esta nunca foi anti-socialista, mas sim fiel aos ideais do socialismo democrático. Nas eleições intercalares de 2 de Dezembro de 1979 para a Assembleia da República, foi eleita deputada pelo Partido Social Democrata (círculo de Lisboa), tendo sido reeleita em 5 de Dezembro de 1980.

No âmbito da sua actividade política sempre primou por defender a cultura e o património, que como dizia é o que nos torna únicos e diferentes do resto do mundo. A luta pela integração e emancipação da mulher na sociedade portuguesa era também parte relevante do seu pensamento político.

No que respeita à sua vida particular propriamente dita, Natália desenvolveu uma relação amorosa com Dórdio de Guimarães, também ele poeta. Este foi uma figura eminentemente presente na vida daquela que aqui se trata, ainda que brevemente. Dórdio dedicou a sua vida a Natália, há mesmo que afirme que a venerava para além de a amar, foi ele que a acompanhou até aos últimos dias da sua vida. Foi também o seu único herdeiro, em 1997 deixou por testamento público ao Governo Regional dos Açores o seguinte: recheio da casa de Natália para um futuro Museu; Pinacoteca e escultura de ambos; biblioteca (10.164 obras da colecção de Natália e 2.283 da colecção de Dórdio Guimarães); manuscritos e originais de ambos, desde que já publicados e acervo da exposição Homenagem Nacional a Natália Correia. Estes bens estão presentemente depositados na Biblioteca Pública e Arquivo Regional de Ponta Delgada.

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Em 1976, recebeu do Centre International de Poésie Néo-Latine e do Comité des Prix Petrarque de Poésie Néo-Latine o prémio literário La Fleur de Laure que anualmente consagrava uma poetisa de língua romântica.

Podemos ainda dizer que a obra de Natália está traduzida para várias línguas, o que prova o seu valor e reconhecimento também a nível internacional, e que obteve o Grande Prémio da Poesia de 1991 da Associação Portuguesa de Escritores. Foi ainda galardoada com a Grande Ordem de Santiago e a Grande Ordem da Liberdade.

A 16 de Março de 1993 morria Natália Correia, um dos grandes ícones portugueses.