“Nothing Hill “ – Filme

27 de Agosto  1999

Will (Hugh Grant), pacato dono de uma livraria especializada em guias de viagem, recebe a inesperada visita de uma cliente muito especial: a estrela de cinema americana Anna Scott (Julia Roberts). Dois ou três encontros fortuitos mais tarde, Will e Anna iniciam um relacionamento tenro, engraçado e cheio de idas e vindas.

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Houve quem considerasse “Notting Hill” uma das melhores comédias românticas das últimas décadas. De facto, o filme lançado em 1999 conquistou o público e a crítica – o que é um caso, no mínimo, curioso, uma vez que Notting Hill é um produto recheado de clichês e não é propriamente uma inovação em termos de argumento.

Mas mesmo assim, Notting Hill é um filme que tem um charme muito particular. Talvez a razão para este sucesso esteja no inteligente saber dosear tanto humor quanto romantismo. As piadas são estrategicamente bem inseridas ao longo do filme e se revezam com as boas cenas românticas, com óptimos diálogos. Da mesma forma, o desenvolvimento das personagens também é coeso: ambos, apesar de tudo, são totalmente criveis e humanos – uma óptima ideia foi retratar a estrela como uma pessoa comum (“Eu sou apenas uma garota parada em frente a um homem, pedindo a ele que a ame”, diz Anna em certo momento).

Hugh é cativante, mesmo já muito batido em comédias românticas. Julia Roberts, por sua vez, apresenta uma óptima actuação, fazendo uma personagem que, ao que parece, foi inspirada em si mesma – afinal, assim como Anna, Julia também sofreu bastante com os tabloides sensacionalistas ao redor do mundo. O seu sorriso em cena orna suavemente com a música tema de abertura: She, na voz de Elvis Costello (completando uma ótima trilha sonora). A química entre Hugh e Roberts é fundamental para a história, fazendo com que o espectador torça pelo happy end entre os dois. Outro destaque fica ainda por conta de Rhys Ifans, o amigo sem noção de Will, que protagoniza divertidas cenas ao longo das duas horas de exibição.

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O desfecho, previsível, é provavelmente o ápice de todos os clichês aos quais o filme recorre. No entanto, Notting Hill é uma comédia romântica infinitamente superior a outros produtos do gênero. Cumprindo muito bem sua proposta, é uma produção bem feita, cuidadosamente bem executada, com um ótimo design e uma fotografia ímpar – o que não seria muito diferente tratando-se de uma longa metragem no charmoso bairro de Notting Hill. Longe de ser impecável, Notting Hill é equilibrado e inteligente, e mesmo as suas deficiências tornam o filme um entretenimento excepcional – algo difícil de se encontrar no cinema hoje em dia.

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