“Proposta Indecente “ – Filme – 1993

20 de Agosto  1993

Esse filme do director Adrian Lyne, apesar de vítima de um certo preconceito inicial, consegue surpreender e traz à tona como pano de fundo algumas questões mais profundas, que podem ficar obscurecidas se julgarmos o filme apenas pela leitura do seu resumo.
Demi Moore (na sua melhor fase) e Woody Harrelson (na minha opinião em um dos seus melhores trabalhos) fazem um casal jovem, apaixonadíssimo, que porém enfrenta uma grave crise financeira e tem dificuldades em pagar as prestações da casa em que moram. Daí resolvem tentar a sorte em Las Vegas, onde acabam perdendo o pouco dinheiro que tinham (claro).

20125966
Só que nos casinos a personagem de Moore acaba esbarrando no bilionário vivido por Robert Redford (extremamente velho mas ainda com muito charme) e este se encanta por ela, até que, em volta de uma mesa de bilhar, faz ao casal a proposta “indecente” do título em português (palavra que não existe no título original, “Proposal”). Oferece um milhão de dólares para passar uma noite com a jovem.
Essa premissa um tanto descabida acaba gerando argumentos legais para desenvolver no filme, que na verdade começa nessa cena. Apesar de parecer uma ideia a princípio repugnante, a má situação financeira do casal faz com que ambos “pensem” no assunto. O filme na verdade trata do que acontece depois que eles aceitam a proposta do milionário e do preço que terão que pagar por isso nas suas vidas.

still-of-demi-moore-and-robert-redford-in-indecent-proposal
No entanto, a partir daí o argumento é conduzido de forma bastante eficiente, sem entrar em “clichés “ . Vivemos o drama do marido arrependido por ter cedido a esposa a outro homem, que se roi  de ciúmes e tem raiva de si mesmo por causa disso; o dilema da esposa que por amor ao marido se entregou a outro homem e que acabou por se ver numa armadilha sem possibilidade de fuga; e também temos a oportunidade de nos colocarmos na pele do milionário vivido por Redford, que apesar de podre de rico, também tem sentimentos, vontades, desejos, e usa as armas que tem para obter a sua felicidade.
Num final absolutamente belíssimo e de extrema sensibilidade, o director Adrian Lyne finaliza um trabalho ousado e levado com muita competência, num filme que nos faz ver que a primeira impressão que temos sobre uma pessoa pode ser muito diferente daquilo que essa pessoa realmente é.