“Uma família Inglesa” – Júlio Diniz

18 de Agosto  1868

Em plena segunda metade do séc. XIX, Júlio Dinis apresenta-nos uma família que habita a ribeirinha cidade do Porto, os Whitestone. Mr. Richard é o chefe de família, um homem que simboliza fielmente a austeridade britânica. Homem de hábitos e já viúvo, é dono de uma casa comercial na Rua dos Ingleses, centro nevrálgico do comércio na cidade. Carlos é o filho mais velho. Um jovem boémio, frequentador assíduo de cafés e de teatros, está completamente desligado dos negócios da família. Jenny é a filha mais nova. Desde a morte da mãe que ocupa o seu lugar no que toca a tudo que está relacionado com o universo doméstico. É ainda uma grande confidente do irmão e uma mediadora entre este e o pai de ambos. Todo o enredo se precipita quando, num baile de Carnaval, Carlos conhece uma misteriosa mascarada que, mais tarde, se vem a revelar ser Cecília, a filha de Manuel Quintino, guarda-livros na casa comercial dos Whitestone.

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Volto mais uma vez aos clássicos da nossa literatura e a um autor que estou a gostar muito de conhecer, Júlio Dinis. Num enredo bastante simples, focado essencialmente no contexto do romance e repleto de personagens-tipo, o autor mostra-nos um Porto antigo. Em vários momentos fiz algumas pesquisas, afim de perceber se aqueles lugares que nos são apresentados ainda existem nos dias de hoje. Mais uma vez, a escola realista em que Júlio Dinis se insere está muito presente nas descrições que faz de lugares, de espaços, de divisões, de paisagens, etc. Existem alguns pontos que gostaria de referir. Como ponto negativo aponto a tendência do autor de se perder, a espaços, em dissertações que cansam o leitor. Por vezes, o autor corta essas dissertações a meio para não maçar o leitor mas o mal já está feito. Como ponto mais divertido aponto a referência às “mulheres do soalheiro” e os mexericos de soleira da porta. Uma situação comum em qualquer lugar, desde as grandes cidades até às pequenas aldeias, e que subsiste até aos dias de hoje. Como ponto curioso aponto o facto de Mr. Brains (uma personagem secundária) prever que a língua inglesa se iria universalizar. Apenas falhou na previsão que seria a Inglaterra a dominar o mundo. Concluindo, este é um excelente livro que recomendo a todos quantos apreciam os clássicos nacionais, em geral, e a escola realista, em particular.

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