1968 – Martha Vasconcellos é eleita Miss Universo

13 de Julho 1968

A baiana Martha Vasconcellos encaixava se perfeitamente no perfil de boa rapariga do final dos anos 60. Jovem recatada, não se envolvia em confusão e não ligava aos constantes piropos e ousadias que faziam a cabeça de muitos rapazes da época. Mas sempre surge o momento de revolta.

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A ex-professora de alfabetização, que não se preocupava muito com a beleza nem praticava qualquer tipo de actividade física, arranjou problemas em casa ao desafiar o pai e increver se como candidata ao título de Miss Bahia, em Junho de 1968, atendendo aos insistentes pedidos de uma prima da sua mãe.
O Pai , renomado advogado em Salvador, nem podia ouvir falar do desfile da filha em roupa mínima…toda exposta, de facto era um conservador da época. Martha encontrou neste desafio uma forma de o enfrentar muito própria da sua idade.
Conquistar o título de Miss Bahia foi fácil. Difícil mesmo foi conseguir convencer o pai a autorizar a viagem ao Rio de Janeiro, para a disputa da Miss Brasil.

Martha Vasconcellos, foi eleita Miss Universo em 1968

Martha Vasconcellos, foi eleita Miss Universo em 1968

Foi o governador do Estado que ajudou a dobrar o Pai e conseguir que Martha viajasse para o Rio de Janeiro. Aqui arrebatou aplausos e votos na sua coroação como Miss Brasil.
Ser Miss Brasil na época era um estatuto único , era cercado de glamour, mas todo o processo era amador. Hoje existe uma grande estrutura por trás do concurso, é tudo mais organizado e profissional.

Se ser pai da mulher mais linda da Bahia já dava dor de cabeça, ficou tudo mais complicado quando ela se tornou rainha da beleza nacional.
Martha Vasconcellos guardou a faixa e a coroa de Miss Brasil na bagagem, mas por pouco não ficou de fora da disputa pelo título de Miss Universo. Tudo porque o seu Pai não queria  aceitar assinar o passaporte que autorizaria a filha a viajar para Miami, onde o concurso seria realizado. Acabou cedendo, mesmo que contrariado.
Para Martha, aquilo tudo não passava de diversão, uma aventura do tipo que ela nunca havia experimentado. Mas ela não tinha ideia na época de onde esse pequeno gesto de rebeldia a iria levar. No dia 13 de julho de 1968, exatamente um mês após receber o título de Miss Bahia, a ex-professora  tornou  se a segunda – e até hoje, última – Miss Universo brasileira.
As detentoras do título de Miss Universo devem morar por um ano em Nova York e dar conta de uma carga de trabalho de oito horas diárias, incluindo fotos, entrevistas, participações em eventos e viagens ao redor do mundo.

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Martha ganhou muito dinheiro. Tanto que não cabia mais na caixinha onde guardava as economias em casa.
Sonho de vida de modelo? Não para ela. “Eu chorava todos os dias. Morria de saudades da minha família. Sempre que tinha uma folguinha, viajava de volta para o Brasil.“
O coração apertava também pela ausência do noivo, seu namorado desde os 12 anos. Assim que o reinado terminou, voltou correndo para o Brasil, e casou-se apenas seis dias depois.
“Eu me arrependo muito de não ter aproveitado mais aquela época. O casamento me trouxe dois filhos maravilhosos, mas depois de passar um terço da minha vida sob a autoridade do meu pai, fazendo o que ele queria, errei ao ficar submissa ao marido durante outro um terço. Agora uso esse um terço final para fazer o que bem entendo!“
Martha formou-se em Psicologia na Bahia e foi uma integrante activa da Sociedade Brasileira de Psicanálise. Em 2000, emigrou para os Estados Unidos, onde obteve mestrado em Saúde Mental e Aconselhamento pelo Cambridge College.
Hoje, a ex-Miss Universo continua bela e elegante, mas exibe garras afiadas em defesa de vítimas de violência doméstica no Estado de Massachusetts, muitas delas imigrantes brasileiras. Já recebeu dois prêmios pelo trabalho que desempenha numa organização não governamental de apoio às comunidades de língua portuguesa.

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