Guerra do Biafra

7 de Julho 1967

A República do Biafra teve uma existência efémera entre 1967 e 1970. O Vaticano, Portugal e França foram os seus principais aliados. O Reino Unido, ex-potência colonial, o Egito e a URSS apoiaram a Nigéria. A China também apoiou o Biafra, denunciando o apoio à Nigéria do “imperialismo revisionista”, numa alusão à URSS.

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A crise do Biafra começou em 1966 na sequência de uma tentativa falhada de golpe de Estado na Nigéria. Naquele momento a Nigéria, país recentemente independente, lidava com dificuldades com a sua herança colonial, que consistia num território de extrema diversidade étnica, onde ficava difícil acomodar todas as etnias importantes do país no governo. Aliado a isso, a Nigéria começava a demonstrar a sua cronica instabilidade política e económica, além dos primeiros sinais de corrupção estatal, características de toda sua história independente.

Esses factores se encontraram em 1966 com a guerra civil pelo controle do poder central, e que envolveu dois importantes povos nigerianos: os haussas, habitantes do noroeste e os ibos, a sudoeste. Em 1966, um grupo de oficiais, na sua maioria da etnia ibo, dão um violento golpe de estado, onde irão assassinar o primeiro-ministro Sir Abubakar Tafawa Balewa, e os governadores da região norte e oeste, Ahmadu Bello e Ladoke Akintola, respectivamente (vale explicar que a Nigéria à época era dividida em apenas três regiões, Leste, Oeste e Norte).

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Seis meses depois, militares da região norte dão um contra golpe, que foi acompanhado de manifestações populares e de perseguições contra os ibo. Contando com a riqueza das jazidas petrolíferas que haviam sido descobertas no delta do rio Níger, os líderes políticos ibo decidem por separar o seu território da Nigéria, declarando a República de Biafra. Tal movimento irá naturalmente despertar uma forte reacção do governo nigeriano, que decide pegar em armas para reprimir os rebeldes, dando início à Guerra de Biafra.

Oito milhões de ibos viviam em Biafra, que tinha como presidente o general Chukwuemeka Odumegwu Ojukwu, responsável pelo movimento que declarou a independência da região.

Na resposta, as forças armadas nigerianas bombardearam e mataram indiscriminadamente soldados biafrenses e civis. A marinha da Nigéria fez um bloqueio que impediu o acesso a alimentos, medicamentos e armamento.

O conflito irá se destacar na imprensa mundial como uma das guerras mais bem documentadas, com inúmeras fotografias emblemáticas de crianças de ventre inchado pela fome, que castigou de modo trágico a região.

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No pico da crise humanitária, cinco mil biafrenses morriam todos os dias de fome e doença. O Governo nigeriano agravou a situação ao proibir o auxílio da Cruz Vermelha Internacional.

Em 1970, a catástrofe humanitária do Biafra assumia dimensões bíblicas. Quando a região foi reintegrada na Nigéria tinham morrido cerca de três milhões de pessoas e a imagem da tragédia eram os campos de refugiados com milhares de crianças famintas.

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