1998 – Morreu Leandro – Cantor Brasileiro

23 de Junho 1998

O cantor José Luiz da Costa, o Leandro da dupla sertaneja Leandro & Leonardo, morreu ás 23h10, em Mato Grosso com 36 anos de idade, depois de lutar durante 65 dias contra um cancro  raro que lhe comprimia o pulmão direito e provocava dores agudas.

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O último boletim médico do Hospital São Luiz, onde o cantor estava internado, foi divulgado às 2h30, duas horas e 20 minutos depois da morte de Leandro. O objectivo era evitar que o seu irmão Leonardo, que fazia um show na cidade baiana de Caldas de Cipó, recebesse a notícia pelo rádio ou Tv. O comunicado apontava como causa da morte a falência de múltiplos órgãos, provocada por um tumor torácico gigante, também conhecido como Tumor de Askins.

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A luta de Leandro começou a 19 de Abril, quando o cantor sentiu as primeiras pontadas fortes nas costas enquanto pescava numa das suas  fazendas. No dia 30 de Abril embarcou para os Estados Unidos, onde se submeteu a exames no conceituado Hospital Johns Hopkins, em Baltimore. Os exames comprovaram a existência do cancro, o que já sabiam os médicos brasileiros, mas o anúncio só ocorreu no dia 8 de maio. Leandro iniciou um agressivo tratamento com sessões de quimioterapia, perdeu os cabelos, mas manteve a esperança. “Vou lutar mesmo que tenha 1% de chances de viver”, chegou a dizer.

À 1h40 de ontem o cantor Xororó chegou ao Hospital São Luiz. Foi direto para a garagem e chorava convulsivamente. O seu irmão, Chitãozinho, já estava no hospital havia uma hora. “Leandro faz muita falta”, comentou rapidamente ao chegar.

O Departamento de segurança interditou as ruas de acesso ao hospital. O clima já era de tensão e muito choro entre os fãs.

Velório – Por volta das 5h45 o corpo de Leandro saiu pelo estacionamento do Hospital São Luiz em direção à Assembleia Legislativa.

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Ainda era madrugada quando o povo começou a ir aonde o artista estava. Às 6h10, a fila de fãs prolongava-se pelo terreno da Assembleia e dobrava a esquina. Os primeiros familiares chegaram às 6h30. A assessora Edi Cury colocou sobre o caixão uma bandeira do Brasil e um chapéu de cowboy.

Leonardo, com quem Leandro subiu ao palco durante 15 anos, chegou ao velório às 10h15. Caminhou até ao irmão, debruçou-se sobre o caixão e chorou, consolado pelo pai, Seu Avelino e pela mãe, dona Carminha. Leonardo colocou um terço sobre o peito do irmão, ergueu a cabeça e começou a rezar de mãos dadas com os outros seis irmãos, Carmem, Fátima, Cida, Mariana, Carlos e Alessandro.

Do lado de fora da Assembleia uma multidão começou a cantar músicas da dupla. “Não era assim que eu queria ter conhecido ele”, dizia a auxiliar de escritório Adriana Cruz, 19 anos, rosto inchado de tanto chorar. Assim como Adriana, uma multidão de adolescentes chorava abraçada a flores e fotos de Leandro.