“Viagens da Minha Terra“ – Almeida Garrett

20 de Junho 1846

A obra Viagens na Minha Terra, do escritor português Almeida Garrett, é um romance histórico que aborda uma viagem do autor de Lisboa a Santarém. Percorrendo o caminho em comboio, o objectivo do viajante era conhecer o Ribatejo e, do seu ponto mais alto, fazer uma saudação à vila histórica de Portugal. Em paralelo à viagem do autor, conta-se a uma novela sentimental em torno das personagens Joaninha e Carlos (primos que foram criados juntos no Vale de Santarém), Frei Dinis (que se torna franciscano e no final descobre que é pai de Carlos) e Georgina (noiva inglesa de Carlos).

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Esta obra de Almeida Garrett é considerada o passo inicial da prosa literária moderna em Portugal. Isso deve se aos elementos que a configuram como: mistura de linguagem popular e clássica, mistura do género jornalístico com o dramático e imagens e expressões sobressaídas. Todos os elementos citados foram de profunda importância para a libertação da literatura portuguesa da tradição clássica, factores que influenciaram outro grande nome português, Eça de Queirós, um dos maiores escritores lusos.

A obra pode ser analisada como um apanhado da situação que Portugal passava na época, século XIX, abrangendo a sua posição política e social. As duas personagens, Frei Dinis e Carlos, são representações (símbolos) do país naquele tempo. O primeiro pode ser entendido como a imagem do Portugal velho e absolutista, com tudo o que carregava de positivo e negativo. Já o segundo é representante das características liberais e inovadoras. Entretanto, o mesmo Carlos que simboliza a inovação é o retrato do fracasso de um país que saia de uma guerra entre liberais e miguelistas. Joaninha, menina-moça de olhos verdes, é a figura que melhor representa a vida campestre, a pureza e a antítese dos valores citadinos.

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A fase histórica que Portugal passava na época era a Revolução Liberal, um movimento de cunho liberalista. Como as ideias liberais eram contrárias às religiosas, consolidadas no Portugal monarca, a revolução ficou sinonimo de “inimiga do trono e do lar”. No ano de 1830, essa disputa entre Conservadores (Absolutistas) e os Liberais (Constitucionais) acaba tornando-se uma Guerra Civil, terminando com a vitória Liberal.

O livro termina com uma metalepse, que é o encontro do autor com a sua ficção, o escritor torna-se elemento da narrativa, interagindo com as personagens.