1829 – 1ª Regata Oxford – Cambridge

10 de Junho 1829

Fica resolvida em menos de 20 minutos (em condições normais) mas tem por trás 187 anos de histórias. É a regata entre as universidades inglesas de Oxford e de Cambridge, provavelmente a prova de remo mais famosa do mundo. The Boat Race reedita-se em Londres.

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Uma simples regata, ao longo de 6,8 quilómetros pelo rio Tamisa, entre Putney e Mortlake (Londres) é o palco do confronto entre as equipas das duas universidades mais conhecidas do Reino Unido. O passar dos anos (amanhã, realiza-se a 162.ª edição da prova masculina e a 71.ª feminina) e a aclamação popular (dos milhares que assistem a tudo nas margens do rio e dos milhões que seguem pela televisão) ajudaram a engrandecer a lenda da competição. Em cada embarcação, oito remadores e um timoneiro (cox) tentam continuar essa história. Por cada um deles, aqui se recorda um momento lendário.

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De uma aposta entre amigos nasceu a mais emblemática prova de remo a nível mundial. Em Março de 1829, Charles Merivale, estudante da Universidade de Cambridge, desafiou o amigo Charles Wordsworth, aluno da Universidade de Oxford, para um duelo de remo, entre as equipas de ambos, no rio Tamisa. Wordsworth aceitou e o confronto ficou marcado para 10 de Junho desse ano. Oxford ganhou. E, entre avanços e recuos, a prova tornou-se um evento anual – realizado no início da primavera – a partir de 1856. Deste então, só não se realizou, a título oficial, nos anos da I e da II Guerras Mundiais (e mesmo aí foram promovidas regatas alternativas a nível oficioso).

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Os números são soberanos: 161 edições da regata masculina dividem-se entre 79 vitórias da Universidade de Oxford, 81 da de Cambridge… e um polémico empate, em 1877. Então, sem que existisse uma meta bem delineada como actualmente, o juiz da regata, John Phelps, não declarou o vencedor (dead heat), garantindo que ambas as embarcações tinham terminado ao mesmo tempo. A lenda – posta a circular pela equipa de Oxford, que se sentiu prejudicada – diz que Phelps, embriagado, teria adormecido atrás de um arbusto e perdido o final, optando então por um salomónico empate. Em 2003, os dois barcos também chegaram quase em simultâneo, mas não houve dúvidas: o sistema de photo finish, usado pela primeira vez, decretou o triunfo de Oxford.

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Apesar da curta distância da regata – o percurso mantém-se desde finais do século XIX – nem sempre as duas embarcações conseguiram chegar ao fim. Todavia, a edição de 1912 foi única, pelos piores motivos: debaixo de péssimas condições climatéricas, ambos naufragaram e a corrida teve de ser repetida no dia seguinte – com o triunfo de Oxford. No total, The Boat Race já assistiu a seis naufrágios – o último foi de Cambridge, em 1978.